Por Josias de Souza:
O nariz é uma parte multiuso do corpo humano. Além de levar ar para os pulmões, serve para brilhar, espirrar, coçar e se meter onde não é chamado. O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, já não precisa desperdiçar o tempo do seu nariz com problemas alheios.
A condenação de Manoel Silva Rodrigues, o sargento da Aeronáutica preso na Espanha com 39 quilos de cocaína ao descer de um avião da FAB, intima Heleno a se explicar. O sujeito era tripulante no avião de apoio da comitiva de Jair Bolsonaro, que rumava para a reunião do G-20, no Japão. Confessou o crime num tribunal de Sevilha. Pegou seis anos de cana, mais multa equivalente a R$ 9,5 milhões.
O sargento alegou que foi sua primeira carga de cocaína. Reconheceu, entretanto, que aproveitava as viagens internacionais no jato presidencial para se abastecer de mercadorias que comercializava no Brasil. Quer dizer: o sujeito começou como uma espécie de muambeiro de farda e terminou como traficante.
Há oito meses, quando a cocaína ganhou as manchetes, Heleno atribuiu o fato a um sortilégio do azar: “Podia não ter acontecido, né? Foi uma falta de sorte acontecer exatamente na hora de um evento mundial. Acaba tendo uma repercussão mundial que poderia não ter tido. Foi um fato muito desagradável…” Leia mais.
(Foto: José Cruz/EBC)
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