‘Desglobalização da aldeia global’

São dias e não anos o tempo que separa a aldeia global da aldeia ‘desglobalizada’. Sim, faz tão pouco tempo que o mundo global desapareceu nem foi possível perceber a desconstrução da aldeia global provocada pelo covid-19. O mundo atual já não é o mesmo de ontem, e menos com ele se parecerá no futuro próximo.

As fronteiras dos países antes ignoradas pelo trânsito facilitado que a globalização permitia voltaram a ser erguidas para confinar os povos às suas respectivas pátrias. Hoje ninguém mais tem trânsito permitido para fora de suas terras. Os cidadãos que haviam se acostumado com uma vida para além dos seus mares, foram tomados pela surpresa de se sentirem confinados ao seu próprio país. O sentimento é ruim, pois a sensação é de clausura, e de clausura involuntária o que a torna ainda mais sofrível. De qualquer forma, a tempestade não terá duração eterna, pois nenhuma neblina dura para sempre. No entanto, quando finalmente tudo for somente recordação, época em que todos os países começarão a recobrar forças para voltar a andar, um mundo diferente terá emergido diante dos seus olhos. Será igual ao mundo anterior? Provavelmente não. Se da China surgiu o processo da ‘desglobalização’, não é de duvidar que de lá também venha o start do novo mundo. No lugar do mundo global, o mundo unidirecional. Ainda que sob o risco do exercício de mera futurologia, é possível apostar que o comunismo capitalizado daquele País passará a ditar as normas da nova ordem. Uma nova ordem com mudança na moeda de referência comercial? Não é de se duvidar. Uma nova ordem com proposta de novos rumos em termos de direitos civis, políticos e religiosos? Que ninguém aposte contra. Um novo tempo com domínio geral sem depender de armas tradicionais de guerra? Por que não? Independentemente de o futuro confirmar parte ou a totalidade da predição, o certo é que o futuro, que já começou e será totalmente diferente do passado que já terminou, sim do passado que acabou ontem, veio para ficar. Se no tempo de outrora, do tempo que foi, onde todos empenhavam esforços no interesse de todos, no tempo que virá é possível que a maioria envidará esforços em proveito de um só.
Considere, pois, a bandeira da China. Ela tem 5 estrelas. Uma estrela grande que representa o Partido Comunista e 4 estrelas menores que representam as quatro classes sociais por lá admitidas. Isto no seu ambiente interno
Se, porém,  tal bandeira for erguida como estandarte do mundo, do novo mundo, é possível que a estrela maior passe a representar o Continente asiático, enquanto as outras 4 os demais continentes – Europa, África, América e Oceania. Estes prestarão reverência àquele pois não terão como fugir do seu domínio.
A China não dá bom dia a cavalos e nem ponto sem nó, de modo que é preciso considerar toda e qualquer possibilidade, mesmo por que antes da bandeira atual que contém as estrelas, a figura nela estampada era de um dragão.  
É bom esperar pra ver. Ou melhor, pra não ver. De qualquer forma, se assim acontecer, então em breve virá o fim.

 A mais este texto de Lutero Pereira – advogado/teólogo, temos pouco a acrescentar. Estou pensando  no legado que a pandemia do coronavírus vai deixar. Dentro tantas reflexões, penso que vamos concluir que não é preciso fazer grandes caravanas de viagens para outros países para bem governar. Que deputados e senadores não precisam ir à Europa e outros continentes, em ‘ missões’ para desempenhar o mandato que lhes conferimos. Quantas pessoas estavam na caravana de Bolsonaro para EUA, na última viagem? Quantas tinham efetivamente funções? Seria necessária a presença do próprio presidente? Certamente a maioria estava em viagem de turismo com dinheiro público, dinheiro que vai fazer falta nas ações  de combate ao vírus.

Akino Maringá, colaborador