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A experiência da gripe espanhola (1918–1919)

Por Jorge Villalobos:

A matéria publicada na página do Senado da República começa afirmando que: “Parece filme de terror… Carroças surgem de tempos em tempos para, sem cuidado ou deferência, recolher os corpos, que seguem em pilhas para o cemitério”.

O vírus veio no navio inglês Demerara, procedente de Lisboa, que em setembro de 1918 desembarcou passageiros infectados no Recife, em Salvador e no Rio; e em outubro as principais cidades brasileiras passam a sofrer “a mais devastadora epidemia da sua história”.

A gripe espanhola, ou influenza espanhola, como trata a inspetoria do comissariado de Porto Alegre em 1918, foi a maior pandemia de que se tem notícias por aqui. O número de óbitos esteve próximo de 35 mil e entre eles o Presidente da República Rodrigues Alves.

Em 18 de outubro de 1918 o dDr. Trajano Joaquim dos Reis escrevia na edição n. 249 do Jornal A República os “conselhos ao povo”, sendo os quatro primeiros reveladoras da crise que se vivia Curitiba: 1. Não se comuniquem com os doentes, nem frequentem casas infetadas; 2. As pessoas residentes em casas infetadas, tenham a caridade de não frequentar aquelas que não o estão; 3. Evitem as causas do resfriamento; 4. Não frequentem os locais onde haja aglomeração de pessoas. Ou seja, isolamento. Não havia cura ou remédio. Porém, no Rio de Janeiro se recomendava o uso de Arseniato de ferro simples ou com strichinina, do Laboratório Zambeletti, e por 2$00 podia ser adquirido o Contratosse que prometia “efeito sensacional”, ou o produto homeopático Grippina, que afirmava ser o remédio com “curas maravilhosas”. Assim, também a canja de galinha, altamente recomendada, o que resulto em ataques a locais de venda.


(*) Professor em Maringá

(Foto: Revista Careta 540)

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