Por Josias de Souza:
O Datafolha revela que Jair Bolsonaro vive uma situação paradoxal. Soube-se na sexta-feira que apenas 33% dos brasileiros aprovam sua atuação no combate ao coronavírus. Para 51%, ele mais atrapalha do que ajuda. Chegam ao noticiário neste domingo outros dados. Por exemplo: 52% acreditam que Bolsonaro ainda reúne condições de liderar o país; 59% declaram-se contra a renúncia do capitão.
Submetido a dados assim, de aparência contraditória, é grande o risco de Bolsonaro extrair da pesquisa suas próprias confusões. Quem preferir lidar com conclusões precisa distinguir tolerar de apoiar.
Tolerância não significa aceitar o que se tolera. Quer dizer apenas que a esperança do brasileiro ainda é maior do que o seu desespero. Na guerra contra o coronavírus, o otimismo é mais cômodo do que o pessimismo. Até que o vírus provoque um colapso nos hospitais, o otimista sofreu menos. Mas não convém a Bolsonaro continuar cutucando a paciência alheia com o pé. Ela pode morder, pois há um limite depois do qual a tolerância deixa de ser uma virtude para virar apenas mais um trissílabo —como cúmulo ou, digamos, túmulo. Leia mais.
(Foto Marcos Correa)
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