Maringá atingirá saturação de casos da Covid-19 só no final do ano

Um grupo formado por professores e estudantes da Universidade Estadual de Maringá para analisar dados e fazer previsões sobre a Covid-19 sugere que a saturação do número de casos da doença em Maringá pode ocorrer mais próxima do final do ano e não em maio, como se esperava inicialmente.
Esse comportamento de prolongar a epidemia e reduzir o número de infectados diários é o que tem sido chamado de “achatar a curva”, reforçam os estudiosos. O primeiro caso de Covid-19 no município foi registrado no dia 18 de março.
Outra constatação do grupo, organizado pela Diretoria de Pesquisa da UEM e pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), é que cerca de 25% da população do município deve ser infectada até o final da epidemia, menor que o percentual de 70% previsto no início.
Os pesquisadores chegaram a esta conclusão cruzando dados sobre taxa de crescimento do número de infectados, em queda após o dia 5 de abril, e a data de estimativa para a contaminação.
Todas as análises feitas pelo grupo estão sendo divulgadas num site criado pelo Laboratório de Sistemas Complexos (Complex-Lab) da UEM, para oferecer uma visualização da evolução dos casos do novo Coronavírus na cidade.
Os dados utilizados para as análises são obtidos dos boletins diários divulgados pela Secretaria de Saúde de Maringá e dos sites brasil.io, Dati COVID-19 Italia e Johns Hopkins CSSE.
Outras cidades comparadas
O trabalho desenvolvido tem sido feito com base no modelo epidêmico SIR, embora, ressalvam os estudiosos, diversos outros modelos têm sido sugeridos para o cálculo sobre o avanço da doença e sem deixar de lado a grande subnotificação dos casos da Covid-19 no mundo, no Brasil e, certamente, em Maringá, o que também afeta qualquer tentativa de prever o comportamento da pandemia.
Na avaliação dos pesquisadores, o SIR é um dos modelos epidêmicos mais simples, mas capaz de descrever diversas características de epidemias. “Esse modelo assume que a população está homogeneamente misturada (ou seja, todos podem interagir com todos) e que cada indivíduo da população está Suscetível (ou saudável), Infectado ou Recuperado (imune) da doença (daí a sigla SIR)”, explicam os cientistas.
Ao comparar o número de casos entre as cidades, os pesquisadores entendem que Maringá tem se comportado de modo parecido com o reportado para o Condado de Monterey (434 mil habitantes) nos Estados Unidos, embora essa região apresente um número de casos ligeiramente maior.
Comparando outras cidades do Brasil, eles perceberam que Maringá tem apresentado (até o momento) um perfil parecido com o de Diadema (423 mil habitantes, na região Metropolitana de São Paulo), Rio Branco (407 mil habitantes, Acre) e Piracicaba (404 mil habitantes, São Paulo).
Por outro lado, o avanço da Covid-19 é mais acentuado em Maringá se confrontado aos números de Jundiaí (418 mil habitantes, São Paulo), Campina Grande (409 mil habitantes, Paraíba) e de Montes Claros (409 mil habitantes, Minas Gerais).
O grupo reúne, pela UEM, os professores Haroldo Ribeiro, Renio Mendes, o doutorando Andre Sunahara e outros estudantes do Complex-Lab, do Departamento de Física; Marcelo Farid, do Departamento de Economia; e Itana Gimenes, do Departamento de Informática. Qualquer interessado pode acompanhar no site os resultados pesquisados.
A estes interessados sempre é bom esclarecer: os números irão mudar na medida em que os pesquisadores do Complex-Lab receberem mais dados (e o número de testes for aumentando). Mudanças estas que levarão o grupo a atualizar o site diariamente para que todos possam acompanhar. (Paulo Pupim – ASC/UEM)
Faça parte do nosso grupo no Telegram – Clique aqui
*/ ?>
