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Perspectivas da pandemia

A unificação microbiana do mundo e a globalização das doenças foi um dos resultados da chegada de Cristóvão Colombo às Américas no já distante e agora mais presente ano de 1492.

A globalização dos fluxos de seres humanos para os negócios, as migrações em busca de melhores condições de vida e de trabalho e o turismo aceleraram a transmissão desse Covid-19, como estamos sentindo no corpo e na alma.

As circunstâncias mudaram com a atual pandemia.

A consciência de que somos uma única espécie e de que as condições de vida e saúde dos mais pobres e marginalizados deve ser levada em consideração nas políticas públicas de saúde coletiva pode trazer otimismo para aqueles que estão mais sofrendo. Otimismo também para aqueles que sempre batalharam por essa ideia.

A exemplo das políticas de seguidos governos ingleses no século XIX, o Estado brasileiro tende a fortalecer e investir mais no SUS e em uma medicina social encarregada de melhorar as condições sanitárias e de acesso aos serviços de saúde dos mais pobres, mesmo que a motivação seja para que não transmitam doenças para os mais ricos.

Mas a pior perspectiva da pandemia é que aqueles que mais concentram riqueza, poder e conhecimento já estão habilmente se preservando e com poucas baixas continuarão no andar de cima mandando a maioria do andar de baixo para as atividades produtivas (que atualmente se tornaram de altíssimo risco).

Esse raciocínio pode ser exemplificado pela diferença estarrecedora de óbitos por decorrência do Covid-19 verificada atualmente nos bairros da Brasilândia e do Morumbi na cidade de São Paulo. 

Em Maringá uma concepção de saúde pública preventiva e responsável socialmente até o momento tem nos protegido do pior, muito embora os familiares das cinco vítimas fatais que já tivemos não possam ser consolados com os números frios da estatística epidemiológica. 


(*) Walter Praxedes é sociólogo. professor do Departamento de Ciências Sociais da UEM

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