Quando a TV passa documentários que retratam a brutalidade do mundo animal, como é caso do programa África Selvagem ou outro que a este se assemelha, não há como não ficar incomodado com o ataque do predador sobre sua presa. Se a vítima é indefesa por estar de debilitada em razão de uma perna machucada que lhe tira a capacidade de correr, a revolta se torna incontrolável e a vontade é de levantar da poltrona, tomar uma arma e partir para cima como predador do predador, pois nos parece que até mesmo no mundo da selvagem não se admite que um animal tire proveito da dor do outro.
Deixemos por ora o mundo da África Selvagem e entremos no mundo do Brasil Selvagem, onde a história não é diferente.
Quando a TV noticia que neste momento de pandemia em que estamos mergulhados, quando a escassez de recursos públicos por si só se torna um entrave para ação em socorro das vítimas do vírus, é possível descobrir a corrupção campeando a passos largos na compra de aparelhos e remédios para restabelecimento da saúde do povo. E é impossível que o sentimento da África Selvagem não tome conta até mesmo do homem mais insensível, ao descobrir que temos uma Selva pior. Uma Selva onde predador e vítima são seres humanos.
Os corruptos que agem contra todos desviando recursos, através de superfaturamento de materiais de saúde, vitimam pessoas doentes que não têm como se defender de seus devoradores. São verdadeiros predadores que atacam o indefeso e engordam seus caixas à custa da dor do outro, fazendo do sofrimento alheio sua indústria de enriquecimento. E assim, esparramam as ossadas dos não atendidos pelos hospitais pelos cemitérios afora, como o animal larga a ossada do que devorou nas planícies africanas.
Não há revolta maior do que isto. Dá vontade de levantar da poltrona…
Como nossa legislação foi feita para proteger o predador e não sua vítima, não é de estranhar que não tenham medo de atacar os indefesos em plena era de combate à corrupção, pois sabem muito bem que “devorar” gente não é crime cuja pena meta medo em quem quer que seja.
Eles só não arriscam a serem predadores de pombinhas de rodoviária, pois sabem que neste caso seriam presos imediatamente, sem fiança, com julgamento célere, condenação certa e prisão em segunda instância.
Para não morrer de tanta raiva volto, a contragosto, a assistir África Selvagem, pois o Brasil Selvagem já não aguento mais ver.
Que este texto de Lutero de Paiva Pereira – advogado – sirva para que reflitamos e não deixemos de trabalhar para o combate à corrupção, começando pelas pequenas coisas, educando nossos filhos, netos, e todas as crianças para sejam honestas e cada vez mais tenhamos esses predadores de recursos públicos.
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