Ouvi hoje uma entrevista do epidemiologista e reitor da Universidade Federal de Pelotas (RS), Pedro Curi Hallal (foto), que coordenou uma grande pesquisa sobre a expansão da covid-19 no Brasil. Para ele, muitas regiões do Brasil precisam de 15 dias de isolamento total para chegarem à curva descendente da doença. À primeira vista, a medida assusta. Loucura? Prejudicar mais a já combalida economia?
Não. Pior é ficar nesse isolamento “meia-boca”, num interminável abre e fecha. Ao fechar tudo por 15 dias, a circulação do vírus diminui e aí, sim, poderá ser feita uma abertura gradual e segura. E o mais importante: reduzindo as mortes.
A economia moderna deve ser multidisciplinar. Está associada à saúde e ao meio ambiente, por exemplo. Com isolamento “meia-boca” haverá mais pessoas doentes, que vão consumir menos e serão menos produtivas no mercado de trabalho. As causas recaem no setor produtivo.
Mais do que nunca “economia e saúde” precisam estar juntas. Análises e atitudes isoladas, às vezes, recheadas de senso comum, só contribuem para afundarmos mais nesse interminável poço.