‘É o canto enorme do meu Paraná’

Dificilmente você terá lido algo tão bonito sobre o Paraná:

Canto do amanhã

(Poema escrito em 1966)

Escuta, meu irmão que estás distante,
esse sussurro universal de homens e mulheres
de todas as raças,
misturando sotaques, tradições,
suor, amor, coragem,
sangue e fé.

Escura o ronco do serrote,
a bofetada do machado,
o chiado da foice e a percussão da enxada.

Escuta o ruído de botas esmagando espinhos,
a leve sinfonia de mãos que espalham sementes,
o poema de outras mãos abanando café.

Escuta os aviões que se entrecruzam no azul,
caminhões e jipes trotando na trilha dos carreadores,
tratores que tombam, mexem, remexem a terra.

Escuta essa algazarra de operários
montando fábricas,
multiplicando casas,
machucando as nuvens com seus ousados arranha-céus.

Escuta a voz da estrada:
– eixo delirante que gira, gira, gira,
impulsionado por milhões de alavancas
que se sustentam na força do chão,
na fibra dos homens,
no empolgante otimismo das crianças
nascidas sob o signo das coisas verdes,
no meio de uma festa de esperança.

Escuta, meu irmão,
que tudo isso
é o canto enorme do meu Paraná,
alegre e jovem, construindo
os alicerces do amanhã!