O gabinete do ódio virou um trem fantasma

Por Josias de Souza:

Idealizado para assombrar adversários de Jair Bolsonaro, o chamado gabinete do ódio tornou-se uma espécie de trem fantasma. Ao remover uma rede de desinformação ligada ao presidente da República, seus filhos e parlamentares aliados, o Facebook alterou o percurso dos vagões. Desgovernados, eles podem abalroar o Planalto.

Ao informar que um dos maquinistas despacha no Planalto, o Facebook aproximou Bolsonaro do inquérito sobre fake news que corre no Supremo Tribunal Federal. Ao revelar que a máquina de ódio foi aos trilhos em 2018, o grupo de Mark Zuckerberg forneceu material para as ações que ameaçam a chapa Bolsonaro-Mourão no Tribunal Superior Eleitoral.

Relator do inquérito sobre notícias falsas, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, requisitará o material do Facebook. O passo seguinte será encomendar à Polícia Federal um aprofundamento da investigação. Além de confirmar o modelo de acobertamento que protegia a identidade dos difusores de desinformação, será necessário esmiuçar o conteúdo dos grupos, páginas e contas operadas pelo gabinete raivoso no Facebook e no Instagram.

Chama-se Tércio Arnaud Tomaz (foto) o assessor-especial de Bolsonaro identificado pelo Facebook como braço operacional do gabinete do ódio no Planalto. Foi recrutado por Carlos Bolsonaro. Despacha no terceiro andar do Planalto, a poucos metros do gabinete presidencial. Recebe salário mensal de R$ 13,6 mil. Leia mais.