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Pandemias da vida

Para muitos, sobretudo os mais jovens, a pandemia do coronavírus parece como algo assustador, que nunca aconteceu, mas pandemias são tão antigas quanto a humanidade, basta ver na Bíblia as  pragas do Egito,  e volta e meio aparecem doenças que causam grande pavor, provocando muitas mortes, enlutando famílias.

Vamos falar de uma onda pandêmica de cólera , sobre a qual Alan Kardec escreveu um artigo na Revista Espírita de 1865, com o título “O Espiritismo e o Cólera”, pois na época muitos adversários compararam a nova Doutrina a uma peste, que tomava conta da humanidade.

 Kardec, sempre educado, refuta a tese e aproveita para escrever algo sobre a pandemia da cólera. Registre-se que no período de 1845 a 1860 houve a terceira onda pandêmica de cólera, que ceifou milhares de vidas no mundo. Segundo alguns historiadores, essa pandemia causou o maior número de mortes no século XIX. O cólera é uma doença bacteriana intestinal, normalmente causada pela ingestão de alimentos ou água contaminados. No artigo,  cita a carta de um leitor de Constantinopla, onde teria ocorrido mais de 70 mil mortes, tendo o mesmo sugerido que os espíritas de lá, pela crença religiosa, teriam sido preservados do flagelo pandêmico.

De imediato, Kardec discorda da tese do leitor, afirmando que a fé espírita não poderia ser um antídoto contra a cólera, mas faz uma excelente abordagem no sentido de que o conhecimento espírita propicia uma força moral que é capaz de nos preservar de muitas doenças, porquanto essa força moral repercute no corpo físico, inclusive no sistema imunológico. Há diversos estudos que correlacionam o binômio fé/saúde, que não se limita, é claro, apenas na crença espírita.

Prossegue falando do medo da morte, que atinge uma quantidade imensa de pessoas quando se instala uma pandemia. O medo patológico, que vige nesse momento, por si só, já gera um estado emocional desarmonizado que, repercute na saúde física e mental, fazendo com que o indivíduo permaneça num estado de alerta intenso, gerando ansiedade e estresse. Para o espírita não deve haver esse temor da morte, porque acredita na imortalidade da alma, que segue viva em outras dimensões da vida, o que, segundo Kardec, serve também para sustentar a aludida força moral.

O fato de não se temer a morte não significa que não damos valor para a vida física, tanto que no texto fala-se que devemos seguir as medidas sanitárias, ou seja, o espírita segue as diretrizes e as normas das autoridades públicas, visando prolongar a vida, não por apego, mas por desejo de progredir. Veja que orientação atual para o enfrentamento da covid-19

O codificador da Doutrina Espírita comenta sobre a importância da serenidade, que será vital para nossa saúde emocional e mental. A serenidade deve ser trabalhada, conquistada, de forma que devemos aproveitar o período de isolamento social imposto pelo coronavírus, a fim de buscar a meditação, a viagem interior e o autoconhecimento, ajudando na conquista da serenidade. A oração será recurso primordial por nos manter conectados com Deus e com as forças superiores mantenedoras da vida.

Kardec também fala que o espírita, como qualquer pessoa, deve mudar completamente seus hábitos. Vemos que  a pandemia nos impôs mudanças profissionais, familiares e sociais, de tal sorte que devemos ser obediente e resignado, ajustando sua conduta às necessidades atuais, visando a saúde pessoal e coletiva.

No final do artigo, foi inserida uma mensagem espiritual do dr. Demeure, que havido sido médico na sua última encarnação, e este  traz recomendações oportunas, aplicáveis ao momento.

 Dr Demeure acentua a importância da higiene e para se evitar os resfriados. Parece que ele está falando para a humanidade de hoje. O referido espírito insiste para se evitar o medo, que é pior do que o próprio mal pandêmico.

O médico desencarnado ainda fala para não se ignorar os primeiros sintomas da doença que recomendarão medidas específicas. É claro que ele está falando da cólera, mas veja como se aplica ao coronavírus.
Por fim, o dr. Demeure toca no assunto do temperamento
espiritual, que, na realidade diz respeito à nossa saúde emocional e mental, de forma que devemos evitar mágoas, ódios, tristezas, angústias, ansiedades etc., investindo na brandura, na amorosidade, na tranquilidade, no perdão, que nos ajudarão a manter a saúde espiritual, ainda que o corpo venha a adoecer.

Com este texto, que elaboramos com base em artigo de Alessandro Viana Vieira de Paula, publicado por Elson Cruz na sua página do Facebook, queremos conclamar a todos, independente a religião e de não religião, para que continuemos firmes, tomando todas as medidas sanitárias e confiantes que a covid-19 não nos atingirá e nem seremos transmissores do vírus. Se acontecer é porque estava na programação espiritual. Pandemias jamais acabarão com  vidas, pois somos imortais. Somos uma alma num corpo e não um corpo que tem alma. Façamos a nossa parte, seguindo as recomendações das autoridades sanitárias, mas com fé e pensamentos positivos.

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