Por Ederlei Alkamim
Isso é verdade: 60% dos leitos de UTIs da região Noroeste estão ocupados e, em algumas unidades hospitalares, esse índice chega a 90%. Pior: estoques de medicamentos previstos para durarem 6 meses se esgotaram em 35 dias. Mas vamos recortar essa informação não para polemizar, mas esclarecer.
No Noroeste são 138 leitos SUS de UTI exclusivos para covid para atender uma população estimada em 2 milhões de pessoas – 70% (ou 1,4 milhão) dependem do sistema público. Apesar de sugerir um quadro dramático, é importante esclarecer que 80% dos casos são assintomáticos e os sintomas se manifestam de forma leve, sem a necessidade de internamento. Cerca de 20% exigem assistência médica e 5% podem ter os sintomas agravados e demandar leitos (enfermaria ou UTI). Aliás, a região conta com 274 leitos de enfermaria para covid-19.
A interpretação dos números leva a reflexões distintas. Primeiro, que a evolução dos casos pode nos levar a um caos, que se instalará com a saturação do sistema de saúde. Segundo que o baixo percentual de gravidade cria um ambiente mais relaxado. As duas percepções são adequadas. O que não se justifica é o descaso com as regras de prevenção. O debate sobre o uso desse ou daquele medicamento como solução para o problema, lembrando sempre que receita médica é de exclusividade médica. Somente ele deve prescrever ou não o uso de determinada droga.
Não há margem segura para relaxamento fora dos protocolos rígidos de prevenção. Uso de máscara, higienização frequente das mãos, distanciamento social. Não dá para ‘comprar’ o discurso fácil que compara o número de infectados recuperados com os contaminados, o que sugere que o vírus não é tão agressivo. Não se deixe ‘contaminar’ por notícias falsas. Atente para o número de positivados, taxa de ocupação hospitalar, dificuldade de aquisição de insumos básicos, como medicamentos e equipamentos… Enfim, o quadro leva a constatação inevitável: estamos numa pandemia e é preciso cuidado.
Quando se insiste no distanciamento social, o que se quer é reduzir a circulação do vírus. Como menos exposição, menos contaminação. Simples. Momento é tenso, difícil e cada um enfrenta seus desafios no âmbito profissional e familiar. Importante é acreditar e confiar que as recomendações dadas têm lastro técnico, mas é preciso a compreensão que é usando máscaras, evitando contato físico e lavando as mãos com frequência (ou usando álcool para higienização) que vamos vencer o vírus.
(*) Ederlei Alkamim é diretor da 15ª Regional de Msaringá