Não somos nada, mas podemos ser tudo…

Vacina, vacina! Só se fala nisso. Desenfreada corrida por uma vacina contra a covid-19. Descoberta, e nossos problemas estarão resolvidos. Voltaremos à vida de antes. Continuaremos a maltratar a flora e a fauna. Como se fossem empecilhos ao dito progresso. O vírus que aí está não veio por acaso. Algo houve que o fez surgir de forma tão contundente.
Acostumamo-nos às soluções instantâneas. Uma “sociedade delivery.” Tenho fome, aperto um botão, a comida está pronta; uma dor repentina, engulo um comprimido; quero me locomover, com um toque no celular aciono aquele carro disponível. Ótimo! Tudo ao alcance das mãos, mas facilidades exigem, na mesma medida, reciprocidade.
“A sociedade delivery” é fascinante, mas um negócio só é bom quando ambas as partes se beneficiam. Diziam os antigos. Até agora só nós, humanos, nos beneficiamos nessa barganha. A natureza, empurramos para baixo do tapete. Mas ela está lá, quieta e, sem dar saltos, dará o troco.
Milhões de anos para o Planeta é um piscar de olho. Sem os humanos (ou com menos), tudo se recompõe no seu tempo. Que não é o nosso. Mas podemos virar esse jogo. Não somos nada, mas podemos ser tudo.
Como escreveu Pascal: “O que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito, um tudo em relação ao nada, um ponto ao meio entre nada e tudo”.
(Foto: Sebastian Palomino)