Mortes de idosos por covid deixam 5 milhões sem renda

Por Rosely Rocha:

Para milhares de famílias brasileiras, a dor da morte dos pais ou avós por causa da pandemia do novo coronavírus (covid-19) vem acompanhada do medo de não ter dinheiro nem para comer nos próximos meses. É que nessas famílias, a única fonte de renda são os rendimentos dos idosos, seja o Benefício de Prestação Continuada, a aposentadoria ou o trabalho.

O estudo da economista e pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), “ Os dependentes da Renda dos Idosos e o coronavírus: órfãos ou novos pobres? , mostra que se as mortes por covid-19 continuarem neste patamar de mil por dia, em média, estarão em risco os rendimentos de 4 milhões de adultos e um milhão de crianças e adolescentes até 15 anos de idade.

A pesquisadora, que desde a década de 1990 estuda as consequências do envelhecimento e arranjos familiares, levou em conta os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística que mostram que 12,9 milhões (18%) do total de domicílios brasileiros têm como única fonte de renda os ganhos dos idosos.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, em 2018, dos 71,3 milhões de domicílios brasileiros, 33,9% tinham ao menos um idoso residindo. Nesses domicílios moravam 62,5 milhões de pessoas, das quais 30,1 milhões eram não idosas, sendo que 16,6 milhões não trabalhavam.

O idoso contribuía com 69,8% da renda destes domicílios e 56,3% de sua renda vinha de pensões ou aposentadoria. Em junho de 2020, a média do valor da aposentadoria foi de R$ 1.348,07, segundo o Boletim Estatístico da Previdência Social do Ministério da Economia.

Para a pesquisadora do Ipea, a covid-19 mostrou a extrema importância dos benefícios sociais e da Previdência e da seguridade social para as famílias mais vulneráveis e para a economia do país. De acordo com ela, sem os rendimentos dos idosos deixaram de circular na economia, desde o início da pandemia, mais de R$ 103 milhões.

“Os idosos com mais de 60 anos representam 74% das mais de 100 mil mortes na pandemia. A doença afetou os idosos em duas vertentes: primeiro que eles morrem mais, segundo porque são os primeiros a perderem o emprego por pertencerem ao maior grupo de risco de contrair a covid. Ou eles abandonam o trabalho por medo da doença ou são demitidos por preconceito do empregador”, diz Ana Amélia. Leia mais.

(Foto: Agência Brasil)