O Brasil está entre os países mais cristãos do planeta, com predominância de católicos e forte ‘concorrência’ dos chamados evangélicos, que considero protestantes, afinal evangélicos, no sentido mais profundo da palavra, entendo, são todos os que, independente da religião, pautam suas existências nos princípio de Evangelho de Jesus Cristo. Assim católicos verdadeiros são evangélicos, espíritas que seguem a doutrina codificada por Kardec são igualmente evangélicos cristãos, embora os auto denominados evangélicos, muitas vezes queiram deter o monopólio do cristianismo, julgando que só eles são cristãos.
Há grandes igrejas, no que se refere a espaço para fieis, algumas chamadas de santuários. Um dos maiores, católicos, é o de Aparecida-SP, na cidade que homenageia a padroeira do Brasil. Dentre os protestantes, o denominado Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus, só para citar dois, do famoso Edir Macedo, em cujo império se inclui a Rede Record de TV.
São grandes estruturas que movimentam muito dinheiro, e têm atraído cada vez mais pessoas que se consideram ‘homens de Deus’, com forte atuação na mídia , que criam outros chamados santuários, , onde os dirigentes não são lá muito santos e, talvez invejando alguns políticos, são tomados pela fraqueza do material e esquecem do espiritual, aproveitando-se da crença dos fieis, gerando escândalos por desvios de recursos, que não ficam longe dos que vemos no noticiário, quase todas semanas. È algo fantástico.
Podemos citar dois recentes, um envolvendo, um dos religiosos mais populares da Igreja Católica no Brasil, o padre Robson de Oliveira Pereira, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), até semana passada. Ele é investigado pelo Ministério Público de Goiás pelo suposto desvio de R$ 120 milhões em doações de fiéis. O dinheiro teria sido usado na aquisição de imóveis, entre os quais uma fazenda de R$ 6 milhões em Abadiânia (GO), e uma casa de praia, no valor de R$ 3 milhões, em Guarajuba, na Bahia. Vejam se tem cabimento isso.
Outro caso envolve um padre militar da reserva, Osvaldo Palópito , de 66 anos, ex-capelão da Polícia Militar de São Paulo, condenado por desviar R$ 1,3 milhões em doações de fiéis, condenado a 26 anos e dois meses de reclusão pela Justiça Militar . Além de ex-coronel da PM , o sacerdote gravou discos com músicas religiosas. Ele era o responsável pela capela de Santo Expedito, localizada na região da Luz, no centro da capital paulista. Acredito que nada tem a ver com um grande santuário que está sendo construído na pequena cidade de Santo Expedido, região de Presidente Prudente, onde conclui meu curso ginasial e atrai grande numero de devotos do Santo.
É revoltante observar alguns sacerdotes e pastores, que pela posição adquirem a confiança do povo, e ‘cometer pecados’ mais graves dos que dizem ter poderes para perdoar. São verdadeiros estelionatários que nos enganam com denominações, como esse ‘Divino Pai Eterno’. O que significa? Não seria mais fácil denominar simplesmente Deus? Se todas as igrejas são casas de Deus, precisaria Ele de ‘verdadeiras mansões’ como esses santuários? Seria preciso, para alguém de Maringá, por exemplo, se deslocar até a pequena cidade de Trindade, em GO para encontrá-lo?
Com todo respeito à crença, mas não consigo entender a necessidade de multidões se reunirem no Círio de Nazaré em Belém, ou nas celebrações do dia de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, e aqui não estou fazendo nenhuma comparação com escândalos, pois não se tem notícias de ocorrências nesses dois eventos.
A pandemia da covid-19 talvez esteja nos ensinando que não é preciso grandes multidões em procissões e já tivemos em Maringá exemplos na semana Santa e do dia da padroeira, onde um padre com a imagem, em carro aberto, percorre as ruas, com som de hinos, e povo acompanha das casas e apartamentos, além da transmissão pela internet.
Pagamentos de promessas, dirão alguns? Que promessas, digo eu? Será que Deus e seus ‘assessores, os santos’, são ‘subornáveis’ por promessas e sacrifícios? . Não, não acredito. Deus não precisa de santuários, e maior sacrifício que podemos fazer para agradá-lo é nos santificarmos o mais rápido possível , fazendo nossa reforma íntima, e isso não depende de grandes espaços nem intermediários, sejam eles padres, pastores, bispos ou até o papa. Oremos e rezemos em nossas igrejas locais e nossos lares. Façamos cada um o exame periódico de consciência. Não acreditemos em absolvição por pecadores tanto quanto nós, muito menos que aceitar Jesus como salvador basta.
(Foto: Alem Sánhez)