Uma vacina universal

Diante da ameaça crescente do coronavírus, espalhando-se por todo o Planeta, é natural que nosso coração se comprima em preocupação e medo, no entanto a educação de nossas emoções é fator primordial  para que mantenhamos a resposta do nosso corpo fortalecida contra quaisquer agentes virais, é o que nos diz  o dr. Ricardo  de Souza Cavalcante, médico infectologista, presidente da Associação Médico Espírita de Botucatu- SP.

Antes de ampliarmos sua opinião sobre o tema das vacinas, apresentamos dois textos. O primeiro do meu amigo Idenor Consoli, que foi infectado pelo coronavírus, desenvolveu a covid 19 e  foi curado.

Numa espécie de desabafo, postou com o título,‘Coisa Fora da Ordem’, o seguinte: ‘Por que apesar de conquistar a Lua, visitar Marte, explorar Cosmo, codificar código genético, dominar átomo, descobrir relatividade do espaço-tempo, mecânica quântica e outros ainda não se descobriu um engenho (não essas vacinas patéticas e repetitivas) que uma vez no organismo combateria não um, mas todos os vírus e coisas estranhas que entrassem indesejadamente conosco? Ao trabalho então, cientistas, engenheiros biológicos e outros luminares da humanidade, já!, por que não aguentaria mais uma recaída dessa desgraça.

O segundo, Donizete Doni, quase na mesma linha diz, sob o título: ‘Não somos nada, mas podemos ser tudo’ , texto, que assim resumimos: ‘Vacina, vacina! Só se fala nisso. Desenfreada corrida por uma vacina contra a covid-19. Descoberta, e nossos problemas estarão resolvidos. Voltaremos à vida de antes. Continuaremos a maltratar a flora e a fauna. Como se fossem empecilhos ao dito progresso. O vírus que aí está não veio por acaso. Algo houve que o fez surgir de forma tão contundente. Acostumamo-nos às soluções instantâneas. Uma “sociedade delivery.  (…)

Caros, digo eu (Akino),  a vacina contra todos os vírus já existe, e nos foi dada pelo Criador ao desenvolver nosso corpo físico. Trata-se do sistema imunológico, que pode estar mais fraco ou potente em cada um, dependendo de diversos fatores. Por que a grande maioria de infectados pelo corona não apresenta qualquer sintoma?

Voltemos à opinião do dr. Ricardo que responde sobre quais emoções , sentimentos ou crença contribuem para a não infecção de indivíduos, ou em caso de infecção, e aqui não estamos falando só do corona, que o sistema imunológico vença o invasor indesejado, como disse Idenor.

 A ciência tem investigado esta questão há muito tempo. Um estudo muito interessante, realizado na década de 1980, avaliou 132 estudantes da Universidade de Harvard (EUA). Foram dosados os níveis de anticorpos, moléculas responsáveis pelo combate aos microorganismos, na saliva destes indivíduos após assistirem a dois tipos de vídeos: um que retrava os horrores da Segunda Guerra Mundial e outro sobre o trabalho benemérito de Madre Tereza de Calcutá. Após o primeiro vídeo, observou-se redução importante dos níveis de anticorpos enquanto que, após o segundo, estes níveis se elevaram. Diversos estudos têm demonstrado que o estresse emocional aumenta a chance das pessoas desenvolverem infecções de vias aéreas superiores, tal como a gripe e o resfriado comum, assim como a reativação das chamadas infecções latentes, como o Herpes simplex. O mecanismo fisiológico envolvido nesta questão também foi identificado. O estresse emocional promove a ativação constante do eixo hipotálamohipófise-adrenal, um sistema que integra o cérebro com a produção de hormônios em nosso organismo. Este eixo produz hormônios, tal como o cortisol, que atuam sobre o sistema imunológico , reduzindo as defesas do organismo e, consequentemente, facilitando a invasão dos seres microscópios.    Todos estes conhecimentos corroboram a ideia de que os sentimentos e, ou, emoções impactam de modo significativo no desenvolvimento de infecções.

Assim como na ciência, na literatura espírita também encontramos muitas informações acerca desta questão. André Luiz na obra “Evolução em Dois Mundos” (psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira), afirma que os sentimentos negativos causam uma ruptura na  harmonia celular, enfraquecendo nossas defesas e permitindo a invasão dos microorganismos. No mesmo sentido, Manoel Philomeno de Miranda, na obra Painéis da Obsessão (psicografia de Divaldo Pereira Franco) afirma que mau humor, pessimismo, revolta, ódio, ciúme e viciações de qualquer natureza causam degeneração celular, reduzindo sua capacidade funcional.

Diante do exposto acima, certamente o melhor recurso oferecido pela doutrina espírita é a compreensão acerca da importância da educação da alma. Afinal, este é o papel do espiritismo. Educar os sentimentos é medida essencial para todos nós e objetivo da vida. E certamente é a melhor prevenção diante de qualquer enfermidade , incluindo as infecções.

E qual a razão de epidemias como a do coronovírus? Quem nos esclarece é Allan Kardec, no capítulo VI (Da Lei de Destruição), terceira parte de O Livro dos Espíritos. Os flagelos que afetam a humanidade, dos quais inclui-se pandemias, são importantes para promover uma aceleração no progresso da humanidade. Este estado de crise permite a criatura humana o desenvolvimento de virtudes e comportamentos mais coerentes com as leis divinas, e isto se dá de forma coletiva. Em geral, os prejuízos observados na crise, como na pandemia, são de ordem material. São perdas econômicas, perda de recursos materiais, perda da vida, pois muitos desencarnam neste processo. Mas se mudarmos a perspectiva pelo qual se observa o fenômeno, se tomarmos como ponto de referência o Espírito imortal, observaremos que os danos são pequenos. A vida terrena é uma gota no oceano perante a existência do Espírito. Os benefícios morais que se pode alcançar no enfrentamento de uma pandemia são imensamente superiores aos danos materiais por ela causados, tanto no plano individual como coletivo. Por isso é essencial que saibamos enfrentar esta situação. Os Espíritos da codificação afirmam a Kardec: “Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo.” Estamos diante de oportunidade ímpar para cultivar virtudes e contribuir para o crescimento moral da humanidade.

E concluo dizendo que devemos acreditar na ciência, que nos dará vacinas específicas para auxiliar a vacina universal que todos temos, mas nem sempre potencializamos.