O policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, vai matar no peito, mesmo contra a opinião da família. Ele vai assumir toda a culpa pela rachadinha, livrando a família Bolsonaro de comandar o esquema de desvio de dinheiro público.
De acordo com matéria de Thiago Bronzatto na revista Veja deste final de semana, logo após a recente decisão do STF, numa conversa com a sua mulher, Márcia Aguiar, o ex-policial explicou que não poderia fraquejar, porque o futuro das suas filhas dependia do seu silêncio. “Os amigos estão ajudando. Tudo irá se resolver, você vai ver”, disse ele, que já estava escondido na casa do advogado Frederick Wassef, então defensor de Jair e Flávio Bolsonaro, e onde acabaria preso sete meses depois. Os investigadores apostavam que a cadeia amoleceria a convicção do ex-policial, especialmente porque a ordem de prisão também atingia a esposa, a quem ele sempre procurou proteger. A estratégia também não deu certo. Com o apoio jurídico de um renomado criminalista de Brasília, Queiroz, depois de 22 dias detido, foi autorizado a cumprir prisão domiciliar. Tudo continuou se resolvendo, conforme ele previu.
Nos próximos dias, o Ministério Público do Rio de Janeiro deve apresentar a denúncia contra os envolvidos no escândalo da rachadinha. Os promotores vão apontar o que seria uma organização criminosa liderada pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro e operada por Fabrício Queiroz, que arrecadaria parte dos salários dos servidores do gabinete. Os crimes praticados pelo grupo envolveriam desde peculato até lavagem de dinheiro. A acusação se baseia em provas periciais, principalmente nas movimentações bancárias. Entre 2007 e 2018, o ex-policial recebeu 2 milhões de reais em 483 depósitos feitos por funcionários do gabinete do deputado. Ele também pagou algumas despesas do hoje senador e depositou 21 cheques, no total de 72 000 reais, na conta da primeira-dama Michele Bolsonaro entre 2011 e 2016, diz a reportagem.