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Prefeito é citado em auditoria sobre lavagem de dinheiro em cooperativa de crédito que era gerenciada pelo cunhado

Está marcada para o 8 de dezembro, em Apucarana, a audiência de uma ação trabalhista que um ex-gerente de agência do Sicredi move contra o ex-empregador. A ação, porém, acabou revelando um esquema de lavagem de dinheiro que envolve o prefeito de Bom Sucesso, Raimundo Severiano de Almeida Junior, o Raimundinho (PSDB), candidato à reeleição.

Raimundinho já foi notícia negativa várias vezes; entre eles, por atrasar o pagamento dos servidores públicos municipais mais humildes e por ser preso por dirigir embriagado. Desta vez, porém, quem teve acesso à ação considera que ele entrou numa enrascada da qual dificilmente sairá ileso. Raimundinho é citado como o principal beneficiário de um esquema que acontecia na agência do Sicredi de Bom Sucesso. De acordo com relatório de inspetoria interna especial feita pela Cooperativa de Crédito, Poupança e Investimento Valor Sustentável (Sicredi Valor Sustentável PR/SP), o cunhado do prefeito, Rony Carlos Gasparelo, ex-gerente da agência, promovia transações financeiras sem fundo, com valores não condizentes dos cooperados (boa parte funcionários da prefeitura e da família do prefeito). No processo há imagens de Gasparelo recebendo empréstimo em nome de servidor, sem a presença do tomador, e repassando a terceiros por outros bancos.

O ex-gerente embolsa R$ 19,9 mil de empréstimo feito por atendente da Prefeitura de Borrazópolis

A audidoria fez um mapeamento dos grupos de pessoas ligadas, análise de movimentação financeira das contas, análise de PLD – Prevenção a Lavagem de Dinheiro; levantamento da quantidade de registro de adiantamento a depositante;
identificação do usuário_login autorizador das transações financeiras sem
provisão de fundos; análise das operações de crédito Consignado Setor Público;
•e a identificação de contas de prestadores de serviços da Prefeitura Municipal de
Bom Sucesso na base da cooperativa. O levantamento focou nas transações
financeiras realizadas durante os últimos 12 meses da atuação do ex-gerente, de 1º de setembro a 31 de outubro de 2018.

Pelo menos 16 pessoas e empresas teriam partidicipado da irregularidade, todas com ligações com o ex-gerente e o prefeito Raimundo, incluindo os pais de ambos e empresas de familiares. A movimentação financeira das contas dos associados ligados ao ex-gerente e ao prefeito Raimundinho identificou um grande volume transacionado em espécie, valores de difícil identificação quanto à sua origem. Somente o prefeito, candidato à reeleição, movimentou mais de R$ 365 mil em espécie durante o período apurado. Foi o levantamento que justificou a demissão por justa causa de Rony Gasparelo, que depois ingressou com ação trabalhista contra o Sicredi.

A auditoria não descartou a possibilidade de outras irregularidades que por ventura
não tenham sido objeto das análises e referem-se a apenas as movimentações em determinado período. As características das movimentações chamam a atenção
pela sua forma de execução, mas o relatório ressalta que não pode avaliar e emitir opinião sobre a regularidade das transações.

O Coaf foi comunicado das transações suspeitas em 2018; dois deles por causa de movimento realizada na conta do prefeito. Não se tem conhecimento se o órgão apurou algo e qual foi o resultado.

O caso é detalhado na ação trabalhista (de 1.016 páginas) pela defesa do Sicredi, já que o ex-gerente – que conseguiu justiça gratuita alegando hipossuficiência financeira, embora já fosse à época chefe de gabinete do prefeito (salário de R$ 5.025,78 mensais) – é o autor do processo, ao longo do qual foram apresentadas as provas de irregularidades.

A cooperativa somente descobriu o fato por causa de um cheque de R$ 180,00. Agora, o Ministério Público deverá receber todo o material da auditoria por causa da ação trabalhista.

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