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Pour Magda (*)

Por PAULO ADOLFO NITSCHE:

A professora e militante dos direitos trabalhistas e sociais Magda Rossi se foi. Tomara em busca das melhores sendas a conduzir a modos de existência luminosos e solidários, como deveriam existir entre a Humanidade que ainda está no planeta. Que, no entanto, parecem tão distantes em nossa existência terrena por aqui.

Nossa amiga e camarada Magda se foi, depois de longo sofrimento em internamento hospitalar. Ela já sofria com outros problemas de saúde e o coronavírus não a perdoou, acelerou o fim de uma vida dedicada à luta.

Conheci Magda em Cascavel, no começo dos anos 80, gentilmente hospedado em sua casa, ao lado do também camarada Adeloir Rossi, seu marido. Adeloir era candidato pioneiro a senador pelo PCdoB (que então, clandestino, ainda se precisava se abrigar legalmente em outra legenda partidária para poder concorrer eleitoralmente – tempos dificílimos). Por óbvio, dada a clandestinidade da legenda dos comunistas e imensas vicissitudes materiais, Adeloir cumpriu então a honrosa tarefa de divulgar as ideias progressistas e democráticas. Ele aparecia nos programas de TV defendendo tais ideias e semeava simpatias.

Ora, e eis que em 1984, quando eu, por tarefa militante do PCdoB, fui à greve de fome pela libertação do jornalista Juvêncio Mazzarollo, estando eu ao pé do palanque da rua XV da Boca em Curitiba, chega-me uma moça apreensiva, com aparente medo de ser “descoberta”, entrega-me uma carta. Nela, declarava simpatia à candidatura de Adeloir e elogiava todo nosso esforço pela libertação do jornalista injustamente preso pela ditadura e em apoio ao candidato Adeloir. Aquilo foi mais um alento para nossa luta. Fomos vitoriosos. Mas pouco tempo depois Adeloir faleceu, vítima de um AVC, uma grande perda intelectual para os quadros socialistas do estado do Paraná, pois era uma importante consciência crítica tanto da realidade do estado quanto da ação dos comunistas nessa realidade.

Faço este interregno temporal para dizer que Magda, esposa de Adeloir, foi uma continuadora de seus esforços de pensar a realidade e, sobretudo, da militância na área da Educação Pública do estado, tão maltratada desde sempre. Magda sempre esteve nas inumeráveis reuniões gerais e de seu partido de fidelidade, o PCdoB, contribuindo com ideias e também com presença militante nas atividades definidas do movimento. Ela prosseguiu o legado de luta de seu camarada Adeloir, ao lado de quem sempre esteve.

Perdemos uma mulher de luta. Outras estão aí – sempre estarão e em maior número ainda! – com total disposição a levar esses legados adiante. Como disse minha camarada baiana Loreta Valadares, “vão adiante até onde eu não pude ir”. Pode deixar, Loreta e Magda, iremos adiante. Bem mais do que vocês jamais imaginariam, camaradas.


(*) O título, em francês, significa tanto “Por Magda”, como “Em defesa de Magda”. Meio que copiado de Louis Althusser.

(Publicado originalmente aqui)

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