Etapa encerrada

Diariamente, muitas pessoas se despedem da vida física e voltam para o mundo dos Espíritos, e na semana passada aconteceu com nosso cunhado Natalino.
Natalino Sturaro é certamente um dos melhores seres humanos com os quais convivi na atual existência. Prestativo, discreto, servidor aos próximos, não temos qualquer coisa de negativo para falar sobre ele, e não é porque ‘morreu’, e costuma se dizer que os que morrem ficam bons.
Sofreu longo período com problema no único rim que tinha (nasceu assim), fazendo hemodiálise , até num dia de Nossa Senhora Aparecida, de quem era devoto como toda a família, conseguir um para o transplante, livrando-se das máquinas que filtravam todo o sangue, num processo doloroso, três vezes por semana. Recuperou-se bem, e convivia há quatro anos, agora com dois rins, o novo funcionando perfeitamente, o antigo isolado, sem função.
Atacado por fungo (doença do pombo) que o atingiu nos pulmões, há dois meses, lutou bravamente, mas foi vencido, e o corpo não teve mais condições de servir de veículo de manifestação da Alma, que todos somos, essa imortal. Voltou do Mundo Espiritual, deixando na família muita saudade e um vazio impreenchível pela ausência prematura, aos 67 anos.
Tornou-se finado dirão alguns, mas pensamos, à luz da doutrina espírita, de maneira diferente, apenas encerrou uma etapa da vida que é eterna, completando mais uma existência. Continua vivo, morreu apenas o corpo físico, findando uma etapa, mas jamais será finado.
A propósito, vamos refletir sobre a morte, em tempos de noticiário farto , sobretudo tratando das causadas pela Covid-19, com o resumo de um texto da redação do Momento Espírita: ‘Alguns partem de forma brusca e violenta. Outros são levados por enfermidades prolongadas, depois de muita dor e sofrimento. Há os que voltam antes do tempo, pela porta falsa do suicídio. E os que encerram a sua etapa no corpo, de forma tranquila e serena’.
Essa foi a forma pela qual partiu uma senhora de noventa e oito anos de idade. As forças físicas foram se desvanecendo como uma chama que se apaga lentamente. Fora levada para o hospital, na tentativa de prolongar por mais algum tempo a sua existência.
Todavia, antes de deixar o lar, aquela idosa tinha consciência de que a sua etapa estava para ser concluída. Separou uma muda de roupa com a qual gostaria que vestissem seu corpo, após o desenlace. Chamou uma das netas e recomendou como deveria construir o túmulo, que deveria ser simples e recoberto de azulejos para facilitar a limpeza depois. Expressou todos os seus desejos, serenamente. Não pensou em sobrecarregar os afetos com exigências extravagantes ou custosas. Preocupou-se, ao contrário, em lhes facilitar a vida. E foi assim que, após ter assistido a passagem do cometa Halley por duas vezes, ter presenciado duas grandes guerras mundiais; após criar seus filhos, que lhe renderam muitos netos e bisnetos e cultivar muitas amizades; após carregar a sua cruz com coragem e dignidade e, acima de tudo, confiança em Deus, aquela senhora, quase centenária, deixou o corpo cansado, numa noite. Fechou seu livro da vida como quem cumpriu mais uma etapa na estrada evolutiva. (…) A vida na Terra, por mais longa que seja, não passa de alguns segundos diante da Eternidade.
Por essa razão vale a pena viver com fidelidade à própria consciência. Considerar o corpo físico como uma habitação transitória em que vivemos, ao invés da habitação fixa que possuímos. Assim, a transição chamada morte será menos dolorosa e menos fúnebre, tanto para quem vai, quanto para quem fica. Será um simples Até logo mais! Aguarde-me, dentro em breve irei ao seu encontro. Um breve que pode ser de alguns meses a muitos anos. De toda forma, breve, em se considerando a Eternidade. Naturalmente, as saudades abraçarão aos que ficam sentindo, dolorosamente, a ausência física daquela presença amorosa. No entanto, a certeza de que o ser amado prossegue vivo, atuante, de pé, confere tranquilidade para se aguardar o reencontro, um dia. Pensemos nisso! Vivamos isso!
Que o leitor nos desculpe particularizar um caso familiar ,e quando escrevo este texto vejo a comoção causada pela desencarnação do ex-jogador Maradona, um ídolo, um ‘deus’ para muitos, que certamente abreviou o fim da existência cometendo o ‘suicídio indireto’, que o abuso de drogas provoca.
A existência humana é a mesma, para uma pessoa simples, discreta, sem qualquer fama, como nosso cunhado Natalino e tantos parentes e amigos de cada um de nós, quanto para personalidades famosas. Somos criaturas do mesmo Criador e as aparentes diferenças só podem ser explicadas pelo único dogma do Espiritismo Cristão, a pluralidade das existências ( reencarnação), que de uma para outra leva famosos a simples, e vice-versa, numa alternância lógica e justa. O pobre de hoje foi o rico de ontem ou será no futuro. O famoso como Maradona, talvez tenha uma vida de muito sofrimento nas cracolândias no futuro. Milionários corruptos de hoje, talvez sejam moradores em situação de rua e miseráveis numa próxima e expiatória reencarnação.
Portanto, preparemos nosso futuro hoje, e, se quisermos um bom futuro, sejamos bons. Não invejemos ricos e famosos e poderosos, miremos nos caridosos, pacíficos, bondosos.
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