Por Reinaldo Azevedo, no OL:
Juro que não sinto prazer nenhum em escrever estas coisas, mas o fato é que Eduardo Pazuello é uma das figuras mais ridículas que já ocuparam a cena pública brasileira.
Creio que as Forças Armadas, o Exército em particular, não se dão conta do desgaste de ter alguém como ele, um general da ativa, à frente do Ministério da Saúde. Seu despreparo é de tal ordem que já não pode mais ser considerado apenas um ministro trapalhão: ele se tornou a um só tempo o emblema e a caricatura do governo.
Por emblema, ele reúne as piores características da gestão bolsonarista: despreparo intelectual, ignorância técnica, truculência, aversão à ciência. Por caricatura, todos esses aspectos estão nele numa escala necessariamente ampliada porque, afinal, lida com a mais sensível de todas as matérias: a vida humana. Como a pressão dos fatos é permanente, isso faz dele também um falastrão. (…)
Não sei se entenderam: nesta quarta, o general falou em dar início à vacinação em janeiro ou fevereiro, com algumas agulhadas publicitárias em dezembro… Isso tudo, claro!, se, se, se etc. Há meros dez dias, falava-se que a imunização só começaria em março. Uma foca que soubesse equilibrar uma bola na ponta do nariz poderia ser mais útil na pasta do que o general Pazuello e seus milicos de pijama da Anvisa. Até agora, fique claro, este professor de logística não conseguiu apresentar um plano nacional de imunização. Leia mais.
Ontem, em entrevista à GloboNews o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse que a responsabilidade das 180 mil mortes é do presidente Jair Bolsonaro. “Este era um cenário que eu falei para o presidente que se ele continuasse com o negacionismo e se população não tivesse liderança, era o nosso pior cenário. Nós tínhamos que enfrentar isso unidos. O nosso adversário era o coronavírus”, declarou.
Mandetta lembrou ainda que chegou a alertar o presidente, pessoalmente e por escrito, sobre a possibilidade de o Brasil chegar ao número trágico de 180 mil mortos pela pandemia. “Eu fiz questão de colocar no papel, documentar, comunicar a todos os ministros, e entregar em mãos ao presidente que aquele negacionismo iria custar muito caro para a vida dos brasileiros”, completou.
Sobre o mesmo assunto, e para encerrar, a manifestação do cantor e compositor Chico César:
(Foto: Tony Winston/)