Bolsonaro e centrão evoluem para o matrimônio

Por Josias de Souza, no UOL:

O namoro de Jair Bolsonaro com o centrão evolui para o estágio do matrimônio. A pretexto de assegurar a “governabilidade”, os partidos que integram o grupo se equipam para reestruturar em 2021 o projeto centrão de poder. Baseia-se numa prática antiga: a ocupação predatória do Estado.

Na fase do namoro, que já dura cerca de seis meses, o centrão instalou-se dentro de cofres do segundo escalão. Seus caciques esperam agora receber de Bolsonaro as chaves de ministérios. As pulsões fisiológicas latejam ao redor da candidatura de Arthur Lira (PP-AL), que disputa o comando da Câmara com o apoio do presidente.

Suprema ironia: no formato atual, o centrão foi unificado num contexto de sucessão interna. Na origem, chamava-se blocão. A junção de interesses foi articulada em fevereiro de 2014 por Eduardo Cunha, então líder do MDB. Convertido em presidente da Câmara, Cunha cercou e asfixiou a gestão de Dilma Rousseff.

A derrocada de Cunha, hoje um presidiário da Lava Jato, estimulou a fantasia de que o centrão derreteria. Entretanto, a estrutura colecionada pelo grupo na engrenagem governamental deslizou suavemente da administração petista para a gestão de Michel Temer. Leia mais.

(Foto: Cléber Medeiros/Senado Federal)