Oito dias depois, MMNP não mostra quem votou em pepista

Ontem fez uma semana que o movimento Mais Mulheres no Poder realizou votação para indicar a futura secretária municipal de Políticas Públicas para as Mulheres. Das 82 integrantes do movimento, apareceram para votar 55; dessas, 33 escolheram a ex-secretária Terezinha Beraldo Pereira Ramos, do PP. Das 33 votantes, 27 foram candidatas a vereadora, uma não foi candidata e cinco eram voluntárias do movimento. A secretária foi escolhida por candidatas que somaram 11.821 votos, menos que o número de votos brancos na eleição de 15 de novembro (11.870, ou 6,07% do eleitorado).

A escolhida foi uma das seis que se inscreveram para a disputa. De todas as inscritas, foi a que recebeu menos votos na eleição municipal: 159. Em 2004, quando disputou uma cadeira na Câmara de Maringá pela primeira vez, ela recebeu 1.560 votos. Este ano, foi recusada pelas urnas para ser vereadora, mas, graças ao MMNP, ganhou uma secretaria e um salario de quase R$ 3 mil a mais que o de vereadora. Dezesseis integrantes do MMNP que participaram da escolha fizeram mais votos nas urnas que a ex-secretária da época do PP, há mais de 16 anos ocupando cargos comissionados graças à família Barros. O movimento anunciou ter 77 candidatas, mas pelo menos uma delas – Cidinha Goes, do PDT – não participou da disputa, por não ter conseguido realizar o registro depois que houve a mudança na direção municipal do partido.

Das 27 candidatas que escolheram Terezinha – que teve uma passagem turbulenta na Semulher – 25 são oposição ao prefeito Ulisses Maia, com quem a escolhida, tudo indica, vai trabalhar. Votaram no nome de Terezinha oposicionistas que disputaram o Legislativo pelo PSB, Pros, Republicanos, PT, PP, PL e PTB. Outras duas, filiadas ao PSL, não fizeram campanha para Ulisses nas redes sociais. É, malemá comparando, como se o MMNP estivesse entregando um cavalo de Troia no paço municipal. Interesses políticos, visando 2024, estariam por detrás da decisão de a oposição indicar uma secretária municipal,. aproveitando que o prefeito fez um “desafio” para que o movimento indicasse um nome.

Passada uma semana da escolha de uma secretária que foi adversária do prefeito durante toda a campanha, o MMNP ainda não disponibilizou o vídeo da votação interna nem a lista nominal de quem votou em quem. Só informou que Terezinha recebeu 33 votos, Evelin Cavalini (Podemos) 8, Vera Lopes (PSD) 7, Alana Marquezini (PSD) 3, Cristiane Tazinafo (PTC) 2 e Rose Leonel (Pode) 2 votos. Apesar de o PT ter se aliado ao PP e PDT para escolher Terezinha Pereira, quanto candidatas da cadidatura coletiva do PT não acompanharam a orientação do Setorial de Mulheres do Partido dos Trabalhadores: Célia Vilela, Jamile Fernanda, Marcia França e Nathalia Ronchi.

A escolha do movimento, capitaneado por sua criadora Ana Lúcia Rodrigues, já causou polêmica pública antes mesmo da posse. Nas redes sociais, a vereadora eleita Cristiane Lauer começou a falar sobre as denúncias contra futura secretária Terezinha Pereira, inclusive as que envolveram o recebimento irregular de diárias, uso de carro oficial para compras no Paraguai e uso de conta corrente de terceiros para receber os vencimentos mensais na época do PP.