Há quase 200 anos, desse 1824, o ainda jovem francês Augusto Comte passou a utilizar o termo Sociologia como o nome para a nova ciência da sociedade que pretendia fundar. Desde então, alguns dos mais estudados pensadores da humanidade fazem parte da história da sociologia. Para citar apenas alguns nomes muito conhecidos, podemos lembrar o também francês Émile Durkheim, os alemães Karl Marx e Max Weber, o polonês Zigmunt Bauman, os brasileiros Florestan Fernandes, Herbert de Souza, o Betinho, além do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso.
A sociologia nos ensina que o mundo social é construído historicamente pelos humanos em suas relações de convivência, conflito e cooperação. Esse pressuposto ajuda a compreendermos que as formas de dominação, opressão e desigualdades entre os humanos não são naturais.
A sociologia valoriza o aprendizado do pensamento crítico que evidencia os problemas da sociedade em que vivemos, através de pesquisas baseadas em informações da realidade. Sem o acesso à abordagem crítica da realidade proporcionada pela sociologia os estudantes se tornarão vítimas de uma forma de vida social cujos problemas não são conscientemente formulados pelos seus membros. Sem pensamento crítico não é possível imaginar alternativas para os problemas da ordem social existente.
Através das aulas de sociologia os estudantes tem acesso a uma modalidade de conhecimento universal estudada em todos os continentes. A sociologia é imprescindível para a formação dos estudantes como seres humanos e como cidadãos. A sociologia pode nos proporcionar o exercício da reflexão, a empatia com os outros seres humanos, a busca do conhecimento sobre a complexidade da vida em sociedade.
Privar ou dificultar o acesso dos estudantes paranaenses do Ensino Médio aos conhecimentos proporcionados pela sociologia é uma medida deseducativa, grosseira e obscurantista do atual Governo do Estado do Paraná. É também uma injustiça irreparável e um ataque aos direitos humanos dos estudantes paranaenses.
(*) Walter Praxedes é sociólogo, professor do Departamento de Ciências Sociais da UEM