O movimento Mais Mulheres no Poder, formado por uma vereadora eleita, ex-candidatas a vereadora e cinco voluntárias, expulsou hoje uma de suas integrantes. Motivo: ela cobrava transparência e democracia do grupo, que ganhou o beneplácito do prefeito Ulisses Maia (PSD) de indicar a secretária da Mulher de Maringá; a expulsa pertence ao PSD. Ontem o Maringá News divulgou quem escolheu a secretária (28 políticas mais as voluntárias), o que o grupo, criado pela vereadora Ana Lúcia Rodrigues (PDT), negava-se a tornar público, apesar de a escolha ter sido aberta e ocorrida por videoconferência.
O MMNP expulsou Carmem Regina Nunes da Silva, a Regina Zeladora, que solicitava transparência das chamadas articuladoras, incluindo a relação nominal e a disponibilização do vídeo da eleição da secretária, conforme compromisso do grupo. Regina, que teve a candidatura impugnada porque demanda na justiça contra sua exoneração da Câmara de Maringá, ameaçou requerer judicialmente os dados omitidos da população do movimento – afinal, é o contribuinte que pagará os vencimentos da pessoa indicada pela agremiação para ocupar o cargo.
A expulsão reforça a tese de que o movimento foi criado com objetivos estritamente eleitorais. Este direcionamento fez o MMNP desidratar, atuando hoje como uma panelinha que deve se tornar comitê eleitoral nas eleições de 2022. O assunto será destrinchado ao longo dos próximos dias. Amanhã, no Pan News (Jovem Pan FM), será formalizado um convite para que o movimento debata publicamente suas reais intenções e explique o que está ocorrendo – uma espécie de acareação.
A expulsão de Regina Zeladora foi comunicada no informe abaixo, divulgado em grupo de aplicativo de mensagens (o blog e o perfil do movimento no Facebook nada divulgaram):
“O Movimento Mais Mulheres No Poder é um movimento suprapartidário. Um dos principais motivos para a sua criação é a promoção de uma rede de proteção para as mulheres candidatas, em defesa a ataques de qualquer espécie e, por consequência, valorizar essas candidaturas.
O Movimento foi também construído com objetivo de se eleger uma bancada feminina na Câmara Municipal de Maringá e tem como pautas: 1) Que se destine 4% (quatro por cento) do orçamento municipal para políticas de enfrentamento à violência contra a mulher e 2) Que 50% dos cargos de 1º e 2º escalão no Poder Executivo seja ocupado por mulheres.
Ser mulher e estar na política envolve desafios que todas nós vivenciamos em nossa caminhada na disputa eleitoral que se findou, mas ainda nos desafiam a perseverar no caminho político. Deste modo, este valoroso Movimento, composto por 83 participantes, que ocupou espaço e mostrou a força de suas mulheres, contando com apenas 6 (seis) meses de sua constituição, continuará em atuação.
Contudo, o nosso virtuoso crescimento tem incomodado alguns setores sociais, acostumados a que o ambiente político fosse ocupado apenas por homens. O avanço de nosso movimento gerou desdobramentos que destoam de toda a política e das regras que foram impostas às mulheres por séculos.
Como em todo agrupamento, foi necessário, portanto, o estabelecimento do que chamamos de regras básicas de convivência, que nos determinem ética, coerência, inclusive para que nossas discussões e deliberações sejam preservadas dentro de nosso Movimento.
Dado isso, é de relevância situar a todas e de nos posicionar contra os ataques vivenciados pelo Movimento, fomentado por vazamentos de conversas, áudios e mensagens que enviamos em nosso grupo de WhatsApp, sem nosso consentimento, e violando, flagrantemente, nossas regras de convivência. Esses vazamentos para os meios de comunicação têm nitidamente a finalidade de enfraquecer este movimento de mulheres, além de expô-las, tornando-as vítimas de algo que nós sempre lutamos contra, o motivo de origem do Movimento: exposição deturpada da nossa imagem e crimes contra a honra das mulheres candidatas.
Pautamos nossas tentativas infindáveis em impedir que tais atos continuassem a acontecer, mas não obtivemos resultados e, neste momento, a maioria das articuladoras deste movimento decidiu que é inevitável a exclusão da responsável pela exposição equivocada e desnecessária do mesmo. Não mais toleraremos que informações distorcidas sejam transmitidas para a imprensa. Sobretudo, aos meios que não medem palavras e esforços para tirar a credibilidade dessas mulheres, numa tentativa vã de deslegitimar nosso Movimento. Esse tipo de comportamento, vindo de mulheres, infelizmente, não está em consonância com o que nos une, nos movimenta e nos fortalece. Não está de acordo com a rede de proteção que vislumbramos.
Sendo assim, para que possamos desenvolver nossas pautas e ações sem que sejamos a todo tempo expostas em mídias sociais, principalmente sem nosso prévio consentimento, e também para que sejamos coerentes com as regras que nós mesmas nos impusemos, deliberamos pela exclusão daquelas que desrespeitarem as regras básicas de boa convivência e de organização do nosso Movimento Mais Mulheres no Poder.
Sendo assim, pelos motivos acima expostos, em decisão conjunta entre as articuladoras, somada a livre manifestação de diversas integrantes do Movimentos neste grupo, deliberamos pela exclusão da integrante Regina Zeladora do PSD, por infringir as regras de nosso grupo”.