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A Elite, o Capitão do Mato e o Petismo (I)

Na história do Brasil, durante o longo período de escravidão, os senhores de engenho contavam com leis severas que os protegiam e amparavam nas relações com os agregados e escravos. Apesar disso, demostrando descontentamento pelo insuficiente apoio militar da Coroa, resolveram criar suas próprias milícias para recapturar os negros fugidos e combater os rebelados.

Para chefiar essa guarda militar fortemente armada foi designado um Capitão do Mato, invariavelmente um ex-escravo negro. A escravidão foi extinta e com ela a figura do Capitão do Mato. Também o sistema feudal desapareceu e veio a República. A Democracia, aos poucos, foi se impondo. Apesar das ditaduras do Estado Novo de 1937 e da Militar de 1964, o regime democrático sempre ressurgiu e robusteceu-se, principalmente após a Constituição de 1988. Uma nova elite floresceu, agora no meio urbano e industrializado. Nesse cenário, a classe trabalhadora emergiu com força. Com o Partido dos Trabalhadores, ascendeu ao poder e nele ficou por 14 anos.

Embora produzindo avanços sociais inegáveis (Bolsa Família, por exemplo), o saldo das gestões petistas foram 14 milhões de desempregados e descontrole das finanças públicas, gerando uma inflação crescente. Para piorar, alavancadas por recursos públicos, foram toleradas invasões de terras improdutivas e produtivas, gerando enorme intranquilidade e descontentamento em todos os setores da sociedade, especialmente dentre os produtores rurais.

Assentamentos de trabalhadores sem terras foi outra política petista de resultados duvidosos. Alguns deles foram muito bem sucedidos, mas outros puramente especulativos e deletérios, em áreas imprestáveis à agricultura, com a derrubada de matas em reservas florestais, preservadas ou exploradas de forma sustentável há décadas, como aconteceu, por exemplo, com as pequenas propriedades de indústrias moveleiras de Santa Catarina e Paraná. As árvores aí cortadas foram vendidas a madeireiros inescrupulosos e o “assentamento” abandonado. Na Amazônia, os assentamentos foram responsáveis pela derrubada e as queimadas de grandes áreas de matas nativas.

A corrupção iniciada com o mensalão foi institucionalizada. O petismo colheu os frutos dessa política permissiva e foi alcançado pelo impeachment de Dilma Rousseff. Nessa época, a Lava Jato determinava a prisão de poderosos políticos, empresários e servidores públicos corruptos. Em 05 de abril de 2018, o próprio Lula seria preso. O governo transitório de Michel Temer, enfraquecido pelas denúncias de corrupção e duramente atingido por uma greve de caminhoneiros, que paralisou o país por mais de dez dias, agravando a já interminável crise econômica, não alterou o quadro de profunda divisão entre os brasileiros, recrudescendo ainda mais a luta entre petistas e seus opositores. Nesse cenário, nas eleições presidenciais de 2018, a história iria se repetir como tragédia.

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