Vídeo com médico maringaense é usado por defensores de medicamento ineficaz para combater a covid-19

Um vídeo com trechos de uma entrevista do médico maringaense Adler Menezes Dourado feita na quarta-feira pelo apresentador Beija-Flor (TV Maringá/Band), foi mostrado hoje durante a reunião virtual da Câmara Municipal de Curitiba. Na entrevista, Dourado defende o uso precoce do vermífugo ivermectina para combater a covid-19, medicamento ineficaz para a doença de acordo com a própria farmacêutica fabricante, a Merck.

A entrevista foi exibida a pedido do vereador Ezequias Barros (foto), do PMB, pastor da Igreja O Brasil para Cristo e defensor do tratamento precoce. Barros referiu-se ao secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, de “petista travestido de social democrata” e criticou o não uso do tratamento precoce, como recomenda a ciência. O vereador disse que os números dados pelo médicos “não deixam ninguém mentir”.

Adler Menezes Dourado, formado em Medicina pela Universidade do Oeste-Paulista, foi apresentado na entrevista como o médico que cuida da saúde de 12 mil pessoas, pelo fato de atuar na Medicina do Trabalho na GTFoods, empresa que pertence ao empresário Ciliomar Tortola, que há alguns meses gravou áudio em que critica médicos que seguem o protocolo tradicional e admitiu ter fugido de um hospital quando pegou covid. A gravação citava o nome de um profissional de saúde e chegou-se a anunciar que ele processaria o empresário. Na entrevista a Beija-Flor o médico admite que foi ele quem levou à direção do abatedouro de aves a proposta de se adotar a ivermectina nos funcionários. Citou alguns números, mas não expôs os dados completos para verificação junto às autoridades de saúde. A entrevista tem sido usada por defensores do tratamento precoce, embora Maringá já tenha registrado mortes de pessoas que haviam tomado ivermectina e cloroquina.