Com o agravamento da pandemia e a quebra constante de recordes de mortes em decorrência da covid-19, o setor funerário teme o futuro. Raimundo Ercílio Moreira, presidente da Associação Filantrópica do Cemitério Santa Rita, em Crateús, no Ceará, vê isso de perto. “Temos em média dez sepultamentos por dia e noite, até de madrugada está sendo enterrada gente. Agora chegou em um ponto em que não tem mais onde enterrar ninguém”.
Lourival Panhozzi, presidente da Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário, avalia o momento atual como preocupante e pensa estratégias para afastar as possibilidades de um colapso no país. “Esse ano, agora no mês de março, nós já estamos experimentando um aumento de 30% do total absoluto [de enterros]. É possível, sim, que nós alcancemos até 50%, 60% de aumento real em algumas localidades, momentos e regiões”.
Com o agravamento da pandemia e a quebra constante de recordes de mortes em decorrência da covid-19, o setor funerário teme o futuro. O cemitério Santa Rita chegou a emitir uma nota informando que o local está “praticamente impossibilitado de receber corpos de quem não possui cova ou túmulo”. A ABEDSF chegou a recomendar às funerárias de todo o país para suspender férias de funcionários.
O Brasil é o país com mais mortes diárias pelo novo coronavírus no mundo. Somente ontem, 3.650 vidas foram perdidas na pandemia, o recorde em 24 horas, segundo dados do Ministério da Saúde. Ao todo, 307 mil corpos de vítimas da covid-19 foram enterrados no Brasil. (Alan Rios/Brasil 61)
(Foto: Altemar Alcântara/Semcom)