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Tabajara, um amigo de verdade

Poderia estar falando do  Marques, também um amigo, mas refiro-me  ao Edemir  Medeiros, por nós conhecido, pelo apelido, por ter trabalhado na Transportadora Tabajara, no final dos anos70.

Bem humorado, espirituoso,  ‘um baita de um sujeito’, com dizia outro amigo em comum, José Walmir , o ‘Zé da égua’, que o precedeu na volta ao Mundo Espiritual. Tabajara teve que partir neste  08 de abril, um mês antes de completar 66 anos de existência no corpo físico, que foi vencido  pela covid-19.

Da última vez que nos falamos, por telefone,no final do mês passado já com a suspeita da Célia( sua esposa) de que poderia ter sido contaminado pelo coronavírus, foi brincalhão como sempre dizendo: ‘O que o senhor quer saber’ Demonstrou otimismo e em nada deixou transparecer que seria a nossa última conversa, tinha convicção de que não era nada demais  o que estava sentindo, fazia planos.

Perdemos a presença física do grande amigo,uma dos melhor, senão o melhor que fiz na atual existência. De uma grande alma, que mudou de dimensão, mais vive, porque a vida é eterna. Para homenageá-lo sua filha Amanda postou: ‘Escrever  esta homenagem é tão dolorida, que parece que estou numa maca, sendo amputada uma parte do meu corpo sem anestesia. Arrancaram à força a parte mais linda da minha existência e eu não sei se tenho capacidade de transmitir a altura tudo o que você e é representa:

Meu corpo dói, minha alma chora. Ao mesmo tempo,  sou tão grata a Deus. Como eu sou grata por ter tido o privilégio de ser sua filha, de viver diariamente e acompanhar e admirar o ser humano fantástico, em todos os sentidos, que você foi e será eternamente pra mim.  Eu amo essa foto nossa. Ela externa um pouco de como eu me senti a vida toda com você. Acolhida, amada, protegida.

Com você eu não tinha medo de nada. O barco tava afundando e nós abraçados, você ainda dizia: “tem gente pior que nós. Não vamos reclamar.” Senti seu amor,  carinho, seu cuidado e  preocupação comigo e com nós. Deu-me muito mais que uma vida. Ensinou-me a ser forte, viver 35 anos compartilhando comigo humildemente seus conhecimentos,  princípios e valores aprendidos na dor, simplicidade, honestidade.  Aprendi com sua sabedoria. Você só não me ensinou como eu faço pra conseguir viver sem você.

Sempre fez de tudo pela nossa família. Renunciou seus próprios sonhos para sonhar os meus. Transformou decepções em afeto. Palavras jamais vão expressar tanto significado e tanto amor.

Exemplo de pai, de amigo, de filho, de marido. De ser humano que Iluminou todos os dias da minha vida. Desejo muita luz para que possamos viver, você aí , eu aqui, até que um dia a gente possa se encontrar novamente, porque no meu coração você está mais vivo do que nunca. Te amo, te amo….

E prossigo eu, fazendo minha homenagem: Na vida, a morte é uma constante, mas ultimamente tem sido muito mais constante, atingindo pessoas que não imaginávamos seriam ‘vítimas’, tão prematuramente. Siga em paz, esteja em paz, se adapte rapidamente à nova existência, Meu Amigo Tabajara, com T maiúsculo, amigo de verdade. A morte atinge apenas o corpo físico, você sabia ( conversamos muito sobre essa realidade) e agora tem a comprovação. Continuará sendo você e sentiremos uma saudade saudável, sem desespero, nem contestações.

A ausência da presença ou a presença da ausência, como queiramos dizer, será sentida por todos que com você conviveram,  pelos os seus mais  próximos,  a Célia, a Amanda, em especial. Força, coragem, fé, paciência, perseverança para todos nós. A separação é provisória, nos reencontraremos no momento certo.

Não se preocupe, desligue-se dos problemas e negócios materiais, que a Amanda e Célia saberão conduzir e se precisarem, contarão com os inúmeros amigos que fez. No momento não poderá ajudar, pois precisa se recuperar plenamente. Cuide-se, aceite os cuidados, a continuação do tratamento até se recuperar plenamente. Seu lugar, neste momento,  é no Mundo Espiritual. Entenda como uma mudança, a mais radical de todas que fez na existência no corpo. Não é uma simples mudança de cidade, é uma mudança de dimensão.

E concluo com umas palavras às Célia e a Amanda : ‘ Mesmo acreditando na vida após a morte, há uma perda temporária e é legítimo chorar e ficar triste. Entretanto, não se permitam que suas vidas fiquem paralisadas, a partir dessa grande perda’. ( baseado em texto e Emmanuel)

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