O adeus ao Tio Nenê

Seu nome de batismo é Antonio Zeferino Cristófaro, e chegamos ao Mundo para, para a atual existência terrena, no mesmo dia, 26 de agosto, o mesmo de fundação da Sociedade Esportiva Palmeiras, nosso time igualmente. Ele veio 20 anos antes de mim e 17 depois do começo das atividades do time mais vezes campeão do Brasil, o Palmeiras
Conheci-o como Tio materno, mas desde que me entendo por gente ele se tornou, também, um amigo e conversávamos muito, sempre nos encontrávamos e infelizmente tais encontros foram se tornando mais raros, mas as conversas mais interessantes. Fiquei muito feliz ao ouvir do nosso primo Wanderley, recentemente, coisa de dois ou três anos, que ele me considerava muito, gostava muito de mim.
Mecânico excelente, motorista dos melhores, conhecia como poucos o ofício de lidar de carros pequenos a carretas.O jeito aparentemente bravo, como bravos geralmente eram todos da geração dele e nossos pais, não escondia o ser generoso, rígido, honesto, um grande homem.
Teve uma existência boa, mas nada fácil e com o peso da idade sofria, com a precariedade da saúde, natural com nos desgastes dos veículos, apesar de todos as revisões de manutenções. O corpo é o nosso veículo de manifestação na Terra.
Neste 2 de junho, seu veículo mais importante na atual existência, corpo, perdeu o resto de vitalidade e ele voltou ao Mundo Espiritual, de onde todos viemos e para onde voltaremos, provavelmente se juntando a tantos compadres, dentre eles nosso pai, o seu Dozinho, e outro tio, o Antonio, da tia Maria, com que brincava muito nos encontros familiares em Mandaguaçu, na casa dos nossos avós José e Francisca. Não esqueço das brincadeiras deles dois e eu ficava fazendo a mediação, algumas vezes que tais brincadeiras pareciam passar um pouco do ponto.
Tio Nenê: Ao senhor, que acaba de entrar no Mundo dos Espíritos, queremos dizer que, não obstante, aqui encontras entre nós, na memória, e nos vê e nos ouve, pois apenas deixaste o corpo perecível, que logo será reduzido a poeira. Deixaste o envoltório grosseiro, sujeito às vicissitudes e à morte, e conservastes apenas os envoltórios etéreos, imperecíveis e inacessíveis aos sofrimentos materiais. Se não vives mais pelo corpo, vives entretanto pelo Espírito, e essa vida espiritual está isenta das misérias que afligem a Humanidade.
Não tens mais sobre os olhos o véu que nos oculta os esplendores da vida futura. Podes agora contemplar novas maravilhas, enquanto nós continuamos mergulhados nas trevas. Vais percorrer o espaço e visitar os mundos, em plena liberdade, enquanto nós rastejamos penosamente na Terra, presos aos nossos corpos materiais, semelhantes a um pesado fardo. Os horizontes do infinito se desvendarão diante de ti, e ao ver tanta grandeza, compreenderás a vaidade das ambições terrenas, das nossas aspirações mundanas, e das alegrias fúteis a que os homens se entregam.
A morte, para os homens, é apenas uma separação momentânea, no plano material. Do exílio em que ainda nos mantém a vontade de Deus, os deveres que ainda temos de cumprir neste mundo, nós te seguiremos pelo pensamento, até o momento em que nos seja permitido juntar-nos novamente contigo, como agora te reúnes aos que te precederam.
Adeus, Tio, até mais. Não sabemos se aí, onde a vida continua, mas com certas diferenças, ainda gostará de assistir jogos do nosso Palmeiras e certamente as transmissões serão bem melhores que as com as narrações do Galvão Bueno. Mas poderá, se quiser, dentro de algum tempo vir ao Alians Parque e qualquer outro estádio onde nosso time jogar, ainda que a presença de público encarnado esteja proibida. Certamente haverá atividades muito mais importante e necessárias na vida de Espírito, mas sabemos que conservamos algumas vontades do tempo de encarnados e do Mundo Espiritual, as viagens serão muito mais facilitadas, sem as limitações da pandemia do coronavírus.
Siga em paz, esteja em paz. Que tenha uma rápida adaptação à nova realidade.
(Foto: Donald Tong)
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