Seleção trará orgulho a brasileiros se não jogar a Copa América

De Leonardo Sakamoto, no UOL:

Certas manchas são difíceis de sair de uma camisa. Pegue como exemplo o uniforme da seleção brasileira de futebol. Apesar de vestir um time que, quando quer, é fonte inesgotável de alegrias, carrega o peso da CBF, uma organização envolvida em denúncias de corrupção e assédio sexual.

Mas não só. Por conta do que simbolicamente representa ao povo brasileiro, a camisa tem sido sequestrada, desde a ditadura militar, por grupos que atribuem a ela o significado que lhes convém. E, não raro, essa atribuição não é boa coisa.

Nenhum deles impôs mancha tão difícil de tirar como aquele que a usou para pedir o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, exigir um autogolpe militar e reivindicar um novo Ato Institucional número 5 – que permitiu à ditadura prender opositores, baixar a censura e descer o cacete. Difícil esquecer aquele 19 de abril do ano passado, quando uma manifestação, com a presença de Bolsonaro, cuspiu na Constituição em frente ao quartel-general do Exército. “AI-5! AI-5! AI-5!”, gritavam amarelinhos.

Grandes momentos de estupidez precisam do contraponto de grandes momentos de lucidez para nos lembrar que o que importa não é a camisa, mas quem dela faz uso.

Um desses momentos será se os jogadores da seleção, que representam o país diante do mundo, declararem, na próxima terça (8), após o jogo das Eliminatórias para a Copa do Mundo, que não vão participar da Copa América no Brasil. Leia mais.

(Foto: Lucas Figueiredo/CBF)