De vez em quando, assisto ao programa “Brasil Visto Por Cima”. De norte a sul e de leste a oeste, as antigas estações ferroviárias foram convertidas em centros culturais ou museus. Então eu me recordo de que ainda no governo Geisel, enquanto o mundo desenvolvido apostava tudo na expansão de ferrovias e trens moderníssimos para o transporte muito mais econômico e seguro não somente de cargas, como também de passageiros, o Brasil marcava um gol contra, fechando até as suas estações ferroviárias.
– Vão acabar com o trenzinho dos pobres – lembra- se do clamor?
Muito mais tarde, fiquei triste ao saber que até a poderosíssima Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, ansiosa por obter a concordância presidencial para não cumprir o que era um compromisso dela: estender linhas férreas até Guaíra (divisa com o Paraguai), como contrapartida da aquisição simbólica das matas de todo o norte/noroeste do Paraná, participou do gigantesco lobby do nosso retrocesso ferroviário.
E foi assim que Cianorte acabou sendo o ponto final de uma ferrovia inacabada.
(Foto: Reproduão João carlos na TV)