Policiais civis se recusam a receber diária especial

Até agora mais de 230 policiais civis subscreveram termo coletivo online que será entregue ao governador Carlos Massa Ratinho Junior se recusando formalmente a receber a diária especial por atividade extrajornada voluntária. A orientação é do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região, que tem base territorial em 166 municípios, incluindo Maringá, Apucarana, Campo Mourão e Paranavaí.

A lei que prevê o pagamento da diária é de 2017, mas somente foi regulamentada em maio. “Com essa medida, vamos conseguir aumentar em 30% o efetivo da Polícia Civil. Serão mil policiais a mais toda semana trabalhando nas investigações e auxiliando o Paraná. Em vez de complementar sua renda trabalhando fora, ele vai trabalhar para o Estado, ampliando o efetivo da Polícia Civil. Assim, aumentamos sua capacidade de investigação e de atendimento ao cidadão, além da remuneração dos profissionais da segurança pública”, afirmou Ratinho Junior. De acordo com o decreto, a adesão será voluntária. A diária paga será de R$ 180. O policial poderá tirar até quatro escalas extras por mês, para manter o intervalo de descanso obrigatório. Assim, ele pode chegar a R$ 720 extras ao mês. De acordo com cálculos da Polícia Civil, serão investidos no efetivo cerca de R$ 5,04 milhões de junho a dezembro.

A recusa de receber a diário, segundo o Sindipol, é “um ato de repúdio a essa imoralidade criada pelo governo estadual dividindo a categoria, porque nem todos ativos terão condições de candidatar-se para cumprir a extrajornada, devido à carga horária a que já são submetidos e com isso receber o valor de RS 180,00; ademais ficam impossibilitados os aposentados”.
“Essa manobra foi dolosa e estrategicamente estabelecida para induzir ao erro a sociedade. Procura mostrar que o governador está preocupado com ela e com os policiais. O efetivo da Policia Civil é o mesmo da década de 80, ou seja, um déficit de mais de 50% de servidores”, diz o sindicato, que lembra que policiais ativos, aposentados e pensionistas mestão há quase seis anos sem correção da inflação nos vencimentos.