Papo de compadres, para o Clóvis Pontes

Domingo de tardezinha os compadres Zé do Pito (cuidado, revisão!) e Alaor estavam à toa, coçando a barba, e, de repente, resolveram fazer alguma coisa de útil. Em suma: um lazer naquele domingo ensolarado. Foram pescar num rio que passa perto da casa deles. Como bons pescadores, levaram uma cachacinha, para animar a conversa, e cigarros de palha, sem contar os apetrechos de pesca, como é óbvio. Enquanto davam “banho nas minhocas”, já alegrinhos com algumas doses da “marvada”, desandaram a conversar.

Falaram até da vacina contra o coronavírus. “Mas ocê desse tamanho tem tanto medo assim de vacina por quê?”, perguntou Alaor ao Zé do Pito. Depois de tomar mais um gole da água que arara canindé não bebe, o compadre Zé do Pito explicou o seu medo: “Ah, diz que dói muito!”, resumiu.

“Dói nada!”, rebateu Alaor. Depois de reiterar que a picada da agulha dói muito, ele deu outra explicação: “Esses dias eu fui tomar uma vacina, aquela da gripe lá no médico, e o médico me disse pra eu ficar tranquilo. Aí perguntei se dói muito. O médico disse: “Óia, hoje dói bastante, amanhã já não dói mais nada”. Aí eu disse pro médico: “Então amanhã de tarde eu venho tomar”.

A conversa prosseguiu animada e os dois compadres começaram a falar das qualidades do peixe como alimento. Enquanto aguardava uma fisgada de alguma traíra, o compadre Alaor observou: “E o bom do peixe é que é saudável, não é?”. Zé do Pito concordou: “Eu acho que é saudável mesmo. Eu “tava” doente, esses dias atrás fui lá no médico, comi umas carnes gordas e estou com colesterol e outras coisas. Eu perguntei pro “dotô”: “O peixe é saudável?” O médico respondeu: “É saudável porque faz 30 anos que eu tenho consultório e nunca veio um peixe doente aqui”. 

Texto de Sandro Villar, jornalista e radialista; autor do livro “As 100 Melhores Crônicas de Humor de SV” (Editora Alta Books – RJ). E-mail: sandro.villar@hotmail.com, publicado originalmente e O Imparcial de Presidente Prudente (SP), ao qual incluimos no título ‘para o Clovis Pontes’, que diz que tem medo de agulhada nos braços.