Levantamento aponta que venezuelanos sofrem abusos em empregos ofertados por programa de interiorização

A Operação Acolhida, que chegou a Maringá em julho de 2019, falha em fiscalizar as empresas e monitorar bem-estar dos refugiados, diz reportagem publicada na Folha de S. Paulo

Em Maringá houve evento com a ministra Damares e políticos destacando ‘um novo lar para os venezuelanos’

Extensa reportagem de Fabio Teixeira e Emily Costa, publicada hoje na Folha de S. Paulo, aborda os abusos em empregos ofertados pela Operação Acolhida a venezuelanos. Sem fiscalização e monitoramento ao bem-estar dos refugiados, muitos perderam empregos e vivem em condições de vulnerabilidade. Maringá – onde a operação chegou com pompa via Transpanorama Transportes – é citada na reportagem.

Há algum tempo circula que a Transpanorama dispensou a maioria dos 37 venezuelanos (de um ciclo de 49) que aqui chegaram em julho de 2019 para trabalhar como motorista; dois meses depois, vieram seus familiares, em aviãod a Força Aérea Brasileira. Eles vieram de Boa Vista (RR) e a contratação foi anunciada como “ação humanitária“, com a presença de Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Políticos acompanharam do ato. Segundo a reportagem publicada hoje, os trabalhadores disseram que a empresa não cumpriu suas promessas de boa remuneração, moradia gratuita e um auxílio para alimentação, segundo um relatório de maio de 2020 dos auditores-fiscais do trabalho.

“Se estivesse documentado, não teria tido esse problema”, disse o procurador do trabalho Fabio Alcure, referindo-se à ausência de uma CDTT – Certidão Declaratória de Transporte de Trabalhadores. “Uma porta-voz da Transpanorama disse que, como o Exército era responsável pelo transporte dos trabalhadores venezuelanos para Maringá, a empresa havia presumido que “estava tudo correto”. Leia a reportagem aqui.

(Fotos: Reprodução Transpanorama)