Ex-arcebispo de Maringá, o cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica do Vaticano, assina o documento que determinou que os colégios do grupo Arautos do Evangelho, que segue uma rotina de princípios ultraconservadores, sejam fechados após a conclusão deste ano letivo e que os internos voltem para casa. Uma das escolas fica em Maringá. A ordem foi enviada em um documento de 22 de junho. A notícia foi divulgada pelo portal Metrópoles e replicada no site do SBT no mesmo dia.
A carta foi endereçada ao cardeal Raymundo Damasceno Assis, nomeado pelo pa Francisco como interventor para os Arautos do Evangelho. Entre os motivos citados para o encerramento das atividades dos colégios estão “numerosas comunicações aqui [Vaticano] enviadas pelos pais das crianças e jovens inseridos na órbita da Associação Arautos do Evangelho, nas quais se lamentam que as famílias de origem são, na maioria das vezes, excluídas das vidas dos seus filhos”.
O documento classifica ainda a disciplina aplicada pelo grupo como “excessivamente rígida”. A comunidade dos Arautos do Evangelho foi fundada em 1999 e tem cerca de 3 mil pessoas no Brasil. Em 2019, SBT Brasil exibiu reportagem com denúncias de abusos físicos, psicológicos e cárcere privado, que teriam sido cometidos contra jovens dentro das instituições. No mesmo ano, o Ministério Público passou a investigar o caso.
A professora Mônica Harumi Furutani, presidente do Inedae, que administra os colégios, divulgou nota à imprensa dois dias depois e informou que, sendo verdadeira a informação, envidará todos os esforços para evitar “uma lamentável reedição do célebre caso da Escola base”.