Procurador-geral da República ou pupilo do Bolsonaro?

Nada como as mãos adocicadas do dr. Augusto Aras, para selar o recente pacto de não-beligerância entre os poderes da República. Assim, fica assegurado o sono tranquilo da família presidencial. As inquietas incursões em curso no âmbito do STF fluem para as mãos confortáveis do titular da PGR. Alegra-se o presidente ante o processo das fake news. Para que se incomodar com as instigações antidemocráticas por ele protagonizadas? Até mesmo a primeira dama respira aliviada ante os valores recebidos por ela inocentemente, conforme confissão do motorista Queiroz. Paz entre os meninos que, capitaneados pelo irmão senador, Flávio Bolsonaro, de vez em quando são incomodados pelos milhões arrecadados por conta de “rachadinhas” subtraídas de verbas do parlamento.
A que ponto chegamos. O procurador geral da República situa- se progressivamente não mais que em volta dos interesses do inquilino de plantão no Palácio do Planalto.
De que adiantou a democrática lista tríplice oferecida ao mandatário Bolsonaro pelo Ministério Público do país, quando o
capitão-presidente já estava com o nome de um apaniguado seu capaz de aliviar as tensões da família presidencial ante os deslizes no trato da coisa pública?
Em boas mãos se encontram os abusos da parte do governo. De que importam os anseios liderados pelo capitão-presidente; clamando por intervenção militar ou volta do AI 5, o adiamento irresponsável ou as negociatas em torno da aquisição das vacinas? Por que evitar aglomerações, quando ainda nem chegamos a um milhão de mortos pela covid 19? A questão era a de recrutar adeptos ao máximo de qualquer Estado do país e exibi-los. preferencialmente sem máscara numa demonstração de força que apenas interessa às novas variantes em fase de incubação até o início de nossa primavera que já se avizinha.
Enquanto é tempo, dr. Augusto Aras, tome vergonha e renuncie ao seu cargo, indevidamente confundido como serviçal apadrinhado por um ocasional aventureiro, que faz da incoerência a razão de ser de um desgoverno que tantos males tem causado ao sofrido povo brasileiro.
(*) Tadeu França, ex-deputado federal constituinte
(Foto: Rafael Luz/STJ)
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