Pensei em colocar no título de devemos ao Dória, mas o governador paulista não merece destaque, e conhecendo-o (tenho parentes na região de Prudente que votaram nele e estão profundamente arrependidos), destaco o meu estado de nascimento, reconhecendo que se não fosse a iniciativa do governo do estado, ameaçando começar a vacinar em 15 de janeiro, Bolsonaro não teria se apressando em comprar a tão criticada Coronavac, que garantiu em grande parte a largada da vacinação em todo o Brasil.
No Pan News de hoje assisti a defesa quase cega da comentarista Pamela Bussolin, de que não houve atraso, e que o governador federal comprou todas as vacinas. Ora, comprou com que dinheiro? Não fez mais que a obrigação, apenas para cumprir o plano nacional de vacinação.
A verdade é que se houvesse real interesse em vacinação, as primeiras dose da Pfizer teriam chegado em dezembro/2020. O governo Bolsonaro nunca quis comprar vacinas, mas depois se que alguns enxergaram ‘um grande negócio’, correram para negociar a Covaxin e outras, em claro indício de corrupção, que só não se transformou em prejuízo, graças a funcionários abnegados do Ministério da Saúde, e à CPI, que teve um importante papel em desvendar parte de tudo que estava armado.
E há quem diga que vai processar integrantes? Ouvi e fiquei impressionado como as pessoas podem acreditar que isso é prova de inocência. Santa inocência, pensar que senadores ficarão com medo e não votarão pelo indiciamento do deputado Ricardo Barros.
Falando em indiciamento é preciso (infelizmente a maioria do povo desconhece o que é) destacar que a CPI aponta, como a própria palavra diz que há indícios de cometimento de crimes, mas caberá ao MP, denunciar, isto é, dizer para a judiciário que entende que há crimes e este aceitar ou não. O caminho é longo, mas há mim não restam dúvidas que, independente de alguns nomes que a integraram, a Comissão Parlamentar de Inquérito da covid-19 prestou um relevante serviço aos brasileiros. Não atribuo toda culpa a Bolsonaro, mas que ele é um negacionista dos maiores do mundo, superando inclusive seu ídolo americano, considero sem sombra de dúvidas.
Devemos muito a São Paulo estarmos no nível de vacinação que estamos e acho irresponsabilidade comentar que idosos, mesmo vacinados morreram, e que todos teriam tomado a Coronavac. Vacina não é garantia de imortalidade, mas tudo indica que se não fosse a vacinação a mortalidade seria muito maior.
(Foto: Governo do Estado de São Paulo)