Saudosistas do terror

A exemplo de Nero para o império romano, o genocida Bolsonaro será lembrado como o pior presidente da história do Brasil.
Nero, como todos sabem, para declamar os versos de Vergílio do alto do palácio imperial, mandou atear fogo em Roma, para ter um cenário à altura dos últimos dias de Troia. A quinta parte da Cidade Eterna foi consumida pelas chamas. As vítimas amontoavam- se aos milhares, mas não alcançaram as mais de 600.000 mortes de brasileiros pela covid-19, enquanto o capitão presidente não se cansava de propagar que era apenas uma gripezinha. Bastava o tratamento precoce ao arrepio da ciência e as aglomerações prosseguiram com o orador comandando a baderna por intervenção militar com o gatilho do AI 5 do passado.

De sua parte, o guru do presidente, general Augusto Heleno, ex-comandante militar da Amazônia, invariavelmente em tom de alerta, fez- se de porta-voz do perigo que poderia representar para a soberania do país a indefesa população indígena, caso decidisse constituir-se em nação independente e encravada no próprio solo brasileiro, se cumprido fosse o preceito constitucional da demarcação das terras tradicionalmente habitadas pelos índios.

Que vergonha! O verde-oliva do generalato nunca devia ter pactuado com a abertura de todas as nossas portas ao capital estrangeiro, baseado nos dois pilares do Estado autoritário: concentração de renda e desnacionalização da economia.. O poderosíssimo general Golbery do Couto e Silva da ditadura militar chegou a ser presidente da multinacinnal Dow Chemical, que boicotou a então nacional Walita de acordo com os interesses da holandesa Philips. Sim, ele mesmo: o general que recebeu a visita de Dom Paulo Evaristo Arns à frente de uma comissão de familiares de desaparecidos aos quais cinicamente respondeu que no Brasil não havia presos políticos.

A verdade é que os modelos invocados por Bolsonaro em suas insanas ameaças contra a democracia, foram especialistas em eliminar inocentes, como também em produzir torturados e desaparecidos. Ora, o sumiço de irmãos brasileiros continua repercutindo até hoje na irreparável dor de seus familiares e amigos, como tão bem definiu desta forma o
Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns: “Durante os tempos da mais intensa busca dos assim chamados subversivos, atendia eu na Cúria Metropolitana, semanalmente, a mais de vinte, senão cinquenta pessoas. Todas em busca do paradeiro de seus parentes.
O senhor tem alguma notícia do paradeiro de meu filho? Logo após o sequestro, ela vinha em todas as semanas. Durante mais de cinco anos, acompanhei a busca do filho dela em vão através da Comissão de Justiça e Paz e mesmo do chefe da Casa Civil da Presidência da República.
Não há ninguém na terra que consiga descrever a dor de quem viu um ente querido desaparecer atrás das grades da cadeia, sem mesmo poder adivinhar o que lhe aconteceu”. (in Brasil: Nunca Mais, pgs 11 e 12).

O pior é que os atuais saudosistas do terror continuam agindo como sempre agiram os seus pares no passado. Afinal de contas, todos os déspotas do passado sempre tiveram os seus bobos da corte.

Que os nossos milhões de desempregados façam bom proveito dos R$ 400,00 pré-eleitorais do déspota Bolsonaro e que votem contra o inglório “benfeitor” que deles nada mais pretende, a não ser o voto.


(*) Tadeu França, ex-deputado federal constituinte

(Foto: Correio da Manhã)