“Ela (Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Bolsonaro) fez [rachadinha] nos três gabinetes. Em Brasília, aqui no Flávio e no Carlos. Ela que fazia, mas quem é que assinava? Quem assinava era ele (Jair Bolsonaro). É batom na cueca”. A afirmação é do aposentado da Marinha Mercante Waldir Ferraz, o amigo “Zero Zero” do presidente Jair Bolsonaro. O Jacaré, como é conhecido, em conversas gravadas, confirmou a existência da prática de peculato na família em entrevista publicada na revista Veja deste final de semana.
A reportagem de Laryssa Borges relata que a rachadinha entrou nos gabinetes da família do presidente ainda na década de 90, quando Bolsonaro era deputado federal. Naquela época, Ana Cristina, então casada com um sargento, começou a se aproximar de Bolsonaro, quando participava de um movimento de mulheres de militares que reivindicava aumento no soldo dos maridos. Jacaré conta que ela foi se “infiltrando” e rapidamente ganhou a confiança de Bolsonaro, com quem iniciou um relacionamento amoroso. Logo, Ana Cristina recebeu carta branca para administrar o gabinete de Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Teria começado aí a história de décadas de rachadinha na família presidencial. Segundo Jacaré, o esquema funcionava da seguinte maneira: responsável por uma cota de contratações, Ana Cristina recolhia documentos de algumas pessoas, abria contas bancárias em nome delas e embolsava grande parte de seus salários. Muitas vezes, o funcionário era fantasma e nem sequer tinha conhecimento de que estava oficialmente empregado no gabinete de Bolsonaro. Jacaré alega que quem já trabalhava com o ex-capitão antes da chegada de Ana Cristina, como ele, não participava do esquema.
“Ela é muito perigosa. É uma mulher que quer dinheiro a todo custo. Às vezes, ela vai ao cercadinho, frequenta o cercadinho. É uma forma de chantagem. A gente nem toca nesse assunto pra não deixar o cara de cabeça quente.” A ex-mulher do presidente nega. Leia mais.