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A legião eleitoral do mal

Por Weiller Diniz:

Pelo menos 20 fanáticos da legião demoníaca de Bolsonaro sairão das catacumbas para engrossar a procissão em busca de mandatos populares. Isso impõe uma reflexão sobre o Brasil dos últimos 4 anos. O magote deixa no breu das tumbas os rastros pestilentos de mortes agônicas, a ruína civilizatória, os escombros econômicos, a escuridão social, a devassidão moral, a incapacidade intelectual, a lassidão espiritual, a indiferença cultural e o retardamento mental. Um legado sepulcral circulando com o cinismo proverbial dos malfeitores. Hematófagos que tentarão, na democracia que vampirizaram, alcançar os esquifes do foro especial para escapar das penitências iminentes. Como todas as criaturas diabólicas, eles são ardilosos, tentarão dissimular e até renegar que entoaram o coro mais satânico de todos os tempos, o pandemônio. O abismo da incompetência, malícia, milícia, miséria, mentira, obscurantismo, militarização, genocídio e corrupção.

O tartufo mefistofélico é Sérgio Moro, cuja doutrinação diabólica no Judiciário entronizou o grande satã no altar máximo da crueldade. Foi recompensado com o esbraseante Ministério da Justiça. Lá ficou por meses ociosos, sem celebrar sequer um exorcismo contra as diabruras de seus amigos da falange ministerial, os filhos ou a mulher do “capetão”. Evangelizou sobre doutrinas fascistas, como a licença para matar e a prova ilícita de boa fé. Qual fé? A má-fé. Agora acende velas para, em vão, se dissociar da possessão maligna. A sordidez das missas mais ocultas vai clareando e esturricando Moro com uma abrasividade impiedosa. As escaldantes labaredas mostram que a Alvarez & Marsal, a quem Moro cultuou como orixá do crime, faturou R$ 65,1 milhões de empresas alvos da Lava Jato, 78% do lucro total dos patrões de Moro, o juiz parcial e incompetente que, agora, já confessa ter comandado a operação. Moro embolsou muito dízimos dessa sacristia demoníaca. Um irremissível pecado ético, de conflito de interesses servindo a dois senhores. Quando foi excomungado do ritual bolsonarista disse à endiabrada Zambelli: “não estou à venda”. A alma já havia sido vendida ao diabo. Hoje é uma alma penada.

A delinquência é sua bíblia ancestral, como magistrado, ministro e candidato. Sérgio Moro sempre agiu como parte interessada e à margem da lei na Lava Jato. Já confessou o vazamento intencional (em nome do “interesse público”) de uma gravação duplamente ilegal da conversa entre a então presidente Dilma Roussef e Lula, que resultou no veto herege do STF à posse do ex-presidente no comando da Casa Civil. O áudio foi captado além do horário autorizado e era estranho à diocese cavilosa de Moro. A magia da ilicitude foi determinante para a profanação de Dilma Rousseff e a futura sacralização de Bolsonaro. Moro também grampeou criminosamente advogados e, em férias, atuou para esconjurar a liberdade do ex-presidente Lula.  Epístolas fraudulentas, além de outras, pelas quais ele foi julgado como faccioso e incompetente. Demonizou a política e hoje tem até salário pago por um partido político, culto que ele prometeu jamais professar. Jamais se penitenciou.

Moro é uma entidade sombria da bruxaria, da conveniência. O seu rastro é de lama e de crueldades. Vem vivendo das gordas oferendas de seus sacrifícios iníquos do passado.Diálogos mostraram esse espírito obsessor sugerindo inversão de fases da operação, canonizando procuradores, ditando notas ao MP para desacreditar o “showzinho” da defesa, santificando políticos de sua preferência e indicando fontes para encorpar a acusação seletiva. Moro empunhou o tridente tendencioso de acusador, investigador e juiz, carbonizando o sistema judiciário. Em 2004 Sérgio Moro consagrou essas escrituras hereges formalmente, evangelizando uma doutrina da transgressão. O manuscrito incensando a operação “Mãos Limpas” e o promotor Antônio Di Pietro, tornou-se o cânone sagrado dos lavajatistas. Di Pietro foi pilhado com as mãos sujas e o discípulo Moro também. A queda do céu ao inferno de ambos foi vertiginosa.

Outro devoto das perversidades do mundo inferior é Marcelo Queiroga, rima fácil e cavernícola infame. Cobrado por Bolsonaro sobre a benção da Anvisa para vacinação infantil, o sabujo dos umbrais do inferno e aspirante a um mandato, grunhiu como Cérbero: “Melhor perder a vida do que a liberdade”. Retardou com feitiçarias endiabradas o início da vacinação infantil. Não satisfeito com o satanismo que professa, peregrinou atrás uma criança que, supostamente, teria tido uma complicação em consequência da vacina em busca algum pecado dos imunizantes. Vadiagem inútil. Os demônios são trapaceiros, mentem sempre. É mais uma entidade do crepúsculo, que se embriaga em um necrotério invernal de mais de 625 mil mortes, enquanto o caos reina na Saúde, com apagões, desinformação, erros crassos e sabotagens à ciência. Sob seu forcado, após a condenação científica mundial e 2 anos de pandemia dizimadora, o Ministério da Saúde obrou uma nota sobre efetividade da cloroquina e ineficiência das vacinas. Nem os mais heréticos ousariam. É o doutor Henry Jekyll evocando das profundezas o monstro transtornado de Edward Hyde. Queiroga é outra alma penhorada ao diabo, um Pazuello com estetoscópio e jaleco, encharcado do sangue dos inocentes.

Eduardo Pazuello foi ministro no primeiro pico da pandemia. Responsável pela contratação de R$ 1,6 bi de uma vacina superfaturada, em tempo recorde, sem testes, nunca entregue e com todas as digitais diabólicas do Palácio do Planalto e seu líder no parlamento, o deputado Ricardo Barros. Em 08 de janeiro de 2021, quando desprezava as 170 milhões de doses ofertadas pela Pfizer e Butantan, Bolsonaro enviou uma carta ao primeiro-ministro da Índia pedindo a vacina do laboratório Bharat Biotech, a Covaxin. Dois dias antes de Bolsonaro fazer lobby pela Covaxin, uma empresa abençoada pelo governo já participava de cultos maléficos na embaixada brasileira em Nova Délhi, orando pelas agulhas da corrupção. Era a Precisa Medicamentos, sacerdote do submundo da corrupção e catequista do ex-ministro da Saúde e líder do inferninho, Ricardo Barros. Leia mais.

(Foto: Clauber Cleber Caetano/PR)

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