Fiocruz: uma voz que clama no deserto

Depois da lamentável teimosia presidencial que cuspiu no prato da ciência e impôs o padrâo cloroquina ante a covid-19, certos governadores e candidatos nas eleições que se avizinham, simplesmente ignoram a voz dos cientistas da Fiocruz e liberam o uso de máscaras pelos seus governados. Agindo assim, incorrem no mesmo erro do capitão presidente que surdo se fez ante os cientistas e pesquisadores da Fiocruz, arvorando- se em decadente curandeirismo que muito tem a ver com os nossos 650.000 mortos pela covid-19.

Por acaso, a praga deixou de existir? Ora, é verdade que graças à vacinação, reduziu- se o número de óbitos por dia, mas a média diária de 500 óbitos pela covid-19 ainda é muito elevada.

As eleições estão cada vez mais próximas, mas a liberação popular do uso de máscaras em ambientes fechados e demais precauções já conhecidas, não pode ser uma forma de fazer campanha. Essa prática é criminosa. Senhores candidatos, sigam as orientações de nosso maior reduto brasileiro de cientistas e pesquisadores da Fiocruz. São eles que alertam: que não seja abolido o uso de máscaras pura e simplesmente e que se programe a quarta dose da vacinação de reforço. Agir de outra forma é induzir as nossas multidões ao erro e produzir razões que somente interessam à ômicron de espreita ante os incautos.

No passado, enquanto o presidente Wenceslau Brás seguiu à risca as orientações do médico e cientista Osvaldo Cruz, a varíola também reduziu seu ímpeto, mas pressão política pelo relaxamento da vacinação foi o fator que assegurou longevidade à praga.

Com o devido respeito, políticos, façam as suas campanhas com criatividade, mas reforcem e respeitem as vozes da Fiocruz, deixando de lado práticas irresponsáveis que tanto já enlutaram os lares do Brasil.


(*) Tadeu França
ex- deputado federal constituinte

(Foto: Divulgação)