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Para reflexão de eleitoras bolsonaristas

Referimo-nos às mulheres, repito, mulheres  e  temos algumas amigas que consideram Bolsonaro ‘um sujeito família’. Queremos mostrar o texto abaixo para que reflitam, lembrando  como o presidente tem desprezo pelas mulheres quando diz que teve quatro filhos  homens e no quinto ‘deu uma fraquejada’ e saiu uma mulher. Lembramos, ainda, que um sujeito família está no terceiro casamento. E finalmente ele defende torturadores do regime militar, defende gente como no caso abaixo.  Leiam e concluam, caras leitoras: 

Presa, afastada do filho pequeno, torturada. Rose Nogueira e o horror da ditadura:

Rose Nogueira (foto) tinha 18 anos na madrugada do dia 1º de abril de 1964, uma noite escura que jogou o país numa ditadura civil-militar por 21 anos. “O Brasil vinha de uma progressão de felicidade depois do Juscelino (Kubitschek). A construção de Brasília deu uma autoestima impressionante ao Brasil”, recorda a jornalista, integrante do grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo. Ficou nove meses presa e dois anos em liberdade vigiada. Inocentada em 1972, o estrago da tortura já estava feito:

“Houve um golpe sim, houve um golpe terrível na democracia do Brasil, um golpe muito bem armado contra o presidente João Goulart”, afirma Rose Nogueira, logo no início do programa Entre Vistas, na TVT, com Juca Kfouri (leia mais aqui do texto de Luciano Velleda).

Vejam a situação de horror que a jornalista narra do que lhe aconteceu em 1969:

“Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto. Na sala do delegado Fleury, num papelão, uma caveira desenhada e, embaixo, as letras EM, de Esquadrão da Morte. Todos deram risada quando entrei. ‘Olha aí a Miss Brasil. Pariu noutro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca’, disse ele. Um outro: ‘Só pode ser uma vaca terrorista’. Mostrou uma página de jornal com a matéria sobre o prêmio da vaca leiteira Miss Brasil numa exposição de gado. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Picou a página do jornal e atirou em mim. Segurei os seios, o leite escorreu. Ele ficou olhando um momento e fechou o vestido. Me virou de costas, me pegando pela cintura e começaram os beliscões nas nádegas, nas costas, com o vestido levantado. Um outro segurava meus braços, minha cabeça, me dobrando sobre a mesa. E u chorava, gritava, e eles riam muito, gritavam palavrões. Só pararam quando viram o sangue escorrer nas minhas pernas. Aí me deram muitas palmadas e um empurrão. Passaram-se alguns dias e ‘subi’ de novo. Lá estava ele, esfregando as mãos como se me esperasse. Tirou meu vestido e novamente escondi os seios. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. No meio desse terror, levaram-me para a carceragem, onde um enfermeiro preparava uma injeção. Lutei como podia, joguei a latinha da seringa no chão, mas um outro segurou-me e o enfermeiro aplicou a injeção na minha coxa. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’. ‘E se não melhorar, vai para o barranco, porque aqui ninguém fica doente.’ Esse foi o começo da pior parte. Passaram a ameaçar buscar meu fillho. ‘Vamos quebrar a perna’, dizia um. ‘Queimar com cigarro’, dizia outro.

Rose Nogueira, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), era jornalista quando foi presa em 4 de novembro de 1969, em São Paulo (SP). Hoje, vive na mesma cidade, onde é jornalista e defensora dos direitos humanos.

E concluímos: Vamos ajudar Bolsonaro a celebrar a ditadura, compartilhando relatos de quem viveu aquela “festa”.

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