Uma empresa de transporte de valores localizada em Guarapuava, região central do Paraná, foi alvo do ataque de uma quadrilha composta por aproximadamente trinta elementos. Em ação ousada e violenta, os marginais incendiaram veículos em rodovias de acesso ao município e nas entradas do batalhão da Polícia Militar; fizeram reféns e no confronto armado, balearam dois policiais militares e um transeunte. Nas imagens divulgadas em redes sociais, ficou escancarada a desproporcional inferioridade de forças, em função do armamento utilizado na ação delituosa. Não obstante a situação totalmente desfavorável, os integrantes das forças policiais conseguiram reprimir com eficiência a agressão.
No dia seguinte ao evento criminoso, a Secretaria de Segurança Pública paranaense divulgou uma nota em que relata conhecimento antecipado de que a região poderia ser alvo desse tipo de crime e que “as tropas estavam preparadas e souberam como agir para impedir o assalto”. Aqui se abre necessariamente um parêntese deveras relevante. Se realmente a pasta da segurança pública estadual detinha informações verossímeis sobre uma possível ação criminosa desse naipe, mesmo através de informes aleatórios, por que então não tomou medidas cabíveis ao caso já antevendo possível confronto armado, como o reforço imediato do efetivo policial no município? Por que deixou de estabelecer perímetros de segurança nas proximidades do batalhão policial militar, na empresa de transporte de valores e em outros imóveis tradicionalmente alvos prioritários em ações desse tipo, além de outras iniciativas pertinentes? Se essa versão se mostrar verdadeira, cabe responsabilização aos ocupantes da cadeia de comando por supostamente incorrerem no crime de prevaricação, ou fato mais grave a ser apurado. Para o cidadão comum, é evidente que houve incompetência no gerenciamento do assunto. Por outro lado, se forem encontradas inconsistências nas assertivas oficiais, estará comprovado o lastimável intuito do governo em obter dividendos políticos com a ação perpetrada, ao divulgar versão fantasiosa para a população.
Os valorosos integrantes das forças policiais envolvidas no confronto conhecem a realidade dos fatos. Os que colocaram suas vidas em risco, mesmo diante de flagrante desvantagem bélica; os que não hesitaram diante do perigo. Inclua-se nesse rol de destemidos defensores da sociedade, os policiais inativos, prontamente voluntários na defesa da ordem e da segurança pública. Os mesmos policiais, antes ignorados e vilipendiados em suas legítimas reivindicações salarias, agora mostram a integridade de caráter de uma tropa ordeira, disciplinada e determinada, cientes de suas responsabilidades perenes para com a sociedade. Os políticos fisiológicos com seus discursos proselitistas haverão de ser colocados, em época oportuna, nos seus devidos lugares. Mas o povo paranaense precisa conhecer a verdade. Somente a verdade.
(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista em Marialva/PR
Foto: PCPR