A vereadora maringaense Cristianne Lauer (PSC) anunciou em postagem no Facebook que possui um vídeo em que a filha da deputado federal Maria do Rosário (PT-RS) faz um convite para um maconhaço em defesa do ex-presidente Lula. Antes, ela havia chamado a esquerda de “suja”. O problema é que o vídeo é uma fake news, uma brincadeira feita por uma humorista há quase um ano. A mentira foi divulgada inicialmente em redes sociais em 10 de junho do ano passado, e já foi desmentida por várias agências de fact-checking, como a Lupa.
A mulher que aparece no vídeo não é filha da deputada Maria do Rosário. A gravação foi publicada originalmente na página humorística Fernanda Minazzi – um trocadilho com o termo “feminazi”, usado para chamar feministas de radicais –, que costuma satirizar pautas da esquerda. Em 2019, a própria humorista já chegou a publicar um post para dizer que não é filha da parlamentar, e que esperava ser chamada pela Comissão Parlamentar de Mista de Inquérito das Fake News para esclarecer o fato. A base de apoio do governo Bolsonaro trabalhou contra o funcionamento da CPI. De acordo com a legislação, se a vereadora divulgar ou compartilhar uma mentira poderá incorrer em crime.
Seguidores de Lauer aguardam a publicação do vídeo-mentira, pois sua divulgação, ainda por mais por alguém com mandato, ensejaria crime de honra (calúnia, difamação e injúria). O advogado Francisco Brito Cruz, diretor do InternetLab, centro de pesquisa em direito e tecnologia, enfatiza que criar matéria falsa, notícia fraudulenta e mesmo quem espalhar a mentira com o intuito de diminuir uma pessoa, criar problemas ou constrangimentos para ela, seja na vida pessoal ou profissional.”