Maringá estava atrasada em relação ao ambulatório transexualizador
Na segunda-feira, às 7h30, o Ambulatório Transexualizador de Maringá, inaugurado ontem na rua Tabaetê, 396 (CTA/SAE) começará atendendo 12 pacientes. Muitos deles estavam aguardando agendamento para o Ambulatório de Curitiba, que foi implantado em 2016, havia vários anos.
Em 2006, o SUS introduziu, por meio da Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde, o direito ao uso do nome social, pelo qual travestis e transexuais se identificam e escolhem ser chamados socialmente – e não apenas nos serviços especializados que já os acolhem, mas em qualquer outro da rede pública de saúde. O processo transexualizador foi instituído em 2008, passando a permitir o acesso a procedimentos com hormonização, cirurgias de modificação corporal e genital, assim como acompanhamento multiprofissional. Maringá, portanto, estava atrasada em relação ao SUS
Antes da existência do ambulatório, a porta de entrada para o paciente era a Unidade Basica de Saúde da sua referência. A pessoa realizava consulta com o clínico geral e era encaminhado para o ambulatório transexualizador do SUS em Curitiba, através do Tratamento Fora do Domicilio (TFD). Após o início do acompanhamento na capitala, o paciente precisava se deslocar com frequência para atendimento e retirada de medicação indicada. A fila de espera para realizar esse tratamento variava de 2 a 3 anos.
Após a implantação do ambulatório, o paciente irá procurar a UBS de referência para ser encaminhado para o Ambulatório Transexualizador de Maringá. A pessoa então será encaminhada via central de regulação (Sisreg) para agendamento com as médicas especialistas e demais profissionais que integram a equipe. Segundo informação da gerência de assistência, não existe idade para iniciar o tratamento, desde que os menores sejam acompanhados e autorizados pelos pais.
O ambulatório irá oferecer assistência integral a travestis e transexuais e irá contar com atendimento de endocrinologia, infectologia, ginecologia além de psicologia, assistência social, farmacêutico e enfermagem. A intenção é agilizar a consulta para aproximadamente 30 a 60 dias, não sendo mais necessário o deslocamento do paciente para Curitiba. Todo o processo será realizado pelo Ambulatório Transexualizador de Maringá e medicação será disponibilizada pelo município, bem como a realização dos exames necessários para o acompanhamento.
Desde junho de 2019, a transexualidade não está mais na lista de doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo a entidade, a transexualidade passa a integrar como “incongruência de gênero” a categoria denominada “condições relativas à saúde sexual”.
(Ilustração: Antra)
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