A ira de cada dia…

Segunda-feira. Letícia levantou cedo. Pôs o saco de lixo na calçada. Um dos pacotes descartados cheio de livros.
De relance, um homem que passava leu o título. “As vinhas da ira”, de Steinbeck. Mas o sujeito, apressado, nem deu bola. Sua ira era maior. Estava sufocado pela rotina de um emprego trivial.
A fuga de si mesmo era constante. A ira lhe corroía o peito. A vida o consumia. Sem chances à ficção alheia.
Foto: Livros do Brasil Editora