Pesquisa falsa no WhatsApp
Aplicativos de mensagens como o WhatsApp foram invadidos na semana passada com uma suposta “pesquisa” em nome da Stage Inteligência Competitiva, que tem sede em Maringá. A empresa informou ontem que o material é falso e não faz parte de seus levantamentos internos. “O autor foi identificado para as devidas providências e responsabilizações”, acrescentou.
O material fraudado usa a logo da empresa e em destaque as palavras “Paraná” e “Oficial”. Milhares de pessoas que receberam o material, em PDF, imaginam que tenha mesmo sido feita por uma empresa de pesquisa, por causa do número de registro colocado na primeira página. O material original é um tracking eleitoral, um “cenário projetado”, o que não configura pesquisa. O registro de pesquisa junto ao Tribunal Superior Eleitoral é condição indispensável para a veiculação de qualquer tipo de levantamento.
Além de usar o número de registro de pesquisa registrada no TSE feita pela Paraná Pesquisas, o fraudador alterou resultados e colocou dados sobre deputados estaduais e federais, cujo questionamento não consta do documento encaminhado pela empresa curitibana à Justiça Eleitoral. De acordo com o documento disponível no site do TSE, a Paraná Pesquisa fez apenas perguntas sobre preferência eleitoral para o governo do estado e Senado. A atitude revoltou vários candidatos.
O levantamento feito pela Paraná Pesquisa foi divulgado por vários veículos de comunicação no dia 5, mas somente os resultados para senador e governador, conforme o registro PR09990/2022. No material que circulou no WhatsApp e Telegram, omitiu-se o resultado de governador e colocou0se um “cenário projetado” somente para senador e presidente da República. São cinco páginas, com a marca d´água “Oficial” em todas elas, levando muitos incautos a imaginar tratar-se de uma pesquisa encomendada pelo governo do estado. Pesquisas e trackings feitas sob encomenda de políticos costumam respeitar a lei, são internas e não e são divulgadas como “oficiais”. Enquetes e sondagens estão proibidas desde 14 de agosto.
O TSE esclarece que enquete ou sondagem eleitoral não é a mesma coisa que pesquisa eleitoral. Enquanto a pesquisa deve seguir os rigores dos procedimentos científicos, a enquete apenas faz a sondagem da opinião dos eleitores. O registro da pesquisa na Justiça Eleitoral deverá conter as seguintes informações: quem contratou a pesquisa e quem pagou, com os respectivos números no CPF ou no CNPJ; o valor e a origem dos recursos; a metodologia usada; e o período de realização do levantamento. Caso seja apresentado como pesquisa eleitoral, esse tipo de levantamento será reconhecido como pesquisa de opinião pública sem registro na Justiça Eleitoral.
É a segunda vez que material da Stage Inteligência Competitiva vaza em aplicativos de mensagens, embora desta vez tenha havido falsificação, como admite o consultor Diego Cunha; a primeira foi no início de agosto, uma projeção de votos, com 14 páginas. À época ele disse que o levantamento é feito para consumo interno e sigiloso e se alguém vazou “terá que ser responsabilizado pelo vazamento, conforme a legislação do Marco Civil da Internet e da própria LGPD”. Desta vez, Cunha ressaltou que o material que tem data de 15 de setembro foi falsificado e que o objetivo do autor foi confundir candidatos e números. “Quem fez a falsificação será responsabilizado, já quem compartilhou em grupos de WhatsApp, será penalizado porque a conduta é crime eleitoral”, acrescentou. A Paraná Pesquisa, que teve o número do levantamento utilizado na falsificação não respondeu ao blog.
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