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Sinto falta do futuro!

Um país só será de fato independente se houver planejamento a longo prazo

Eleições é tempo de debates que, quase sempre, se resumem “no pretendo fazer” ou ressaltar o que “se fez”. Mas também deveria ser um ínterim para apresentar um planejamento a longo prazo ao país. O Brasil do futuro, à moda do genial Stefan Zweig, embora soe clichê é condição fundamental num mundo salpicado de complexidades. Sem entrar na cizânia da atual refrega sinto falta de um plano de governo consistente, à mostra e ao chamamento da nação.

Governo e oposição acirram o debate de assuntos importantes. Acabar com a fome, melhorar a distribuição de renda, a educação, a segurança, aumentar o salário mínimo conforme a inflação são propostas que, em tese, deveriam estar na plataforma de qualquer candidato. Falta a ousadia do longo prazo.

Não se vê gente com a disposição de Celso Furtado, Anísio Teixeira, San Tiago Dantas, Darcy Ribeiro, Roberto Campos, Paulo Freire, Delfim Neto, Celso Lafer, Florestan Fernandes, entre tantos outros intelectuais ativistas. Até mesmo Golbery do Couto e Silva se atentou para a geopolítica brasileira.

Um país só será de fato independente se houver planejamento a longo prazo. O que era a China há 25 anos? O Japão, por muitos anos um país agrário e apartado do mundo? A Constituição brasileira de 1988 foi um passo significativo para deslanchar nosso desenvolvimento, mas falta sequência de políticas públicas. Sinto falta do futuro!


(*) Donizete Oliveira, jornalista e historiador.

Fotomontagem: Athena/Correio da Manhã

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