Da jornalista Thais Oyama, em newsletter:
À exceção do Ipec, todos os principais institutos que divulgaram pesquisas às vésperas do primeiro turno das eleições acertaram, dentro da margem de erro, a porcentagem de votos que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria, de 48%. O DataFolha cravou 50%. A Quaest, 49%. O Ideia, 49%. O Ipespe, 46%. Nenhum instituto, porém, chegou perto dos 43% alcançados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).
Descartadas as teses conspiratórias, que exigiriam a união de várias empresas concorrentes seguida do suicídio reputacional de todas elas em prol do petista, a primeira hipótese que surge para explicar a diferença entre as pesquisas e o que se viu nas urnas é a do erro metodológico.
Mas se a metodologia usada para aferir a votação de Lula funcionou no caso do ex-presidente porque não teria funcionado no caso de Bolsonaro? A convicção dos pesquisadores é de que a metodologia está correta e as pesquisas não erraram? o eleitor é que mudou de ideia.
Para Maurício Moura, do instituto Ideia; Felipe Nunes, da Quaest; e Bruno Soller do Real Time Big Data foram os eleitores indecisos e os que tinham como primeira opção os candidatos Ciro Gomes (PDT) ou Simone Tebet (MDB) os que, na boca da urna, decidiram migrar para Bolsonaro.
Os indecisos, lembra Moura, eram 11% na pesquisa espontânea do Datafolha divulgada três dias antes da eleição. Parte desses 11%, na opinião de Felipe Nunes, decidiu-se por Bolsonaro para evitar a vitória de Lula, assim como eleitores de Tebet e Ciro. “Nossos levantamentos mostravam que um quinto dos eleitores de Ciro Gomes eram anti-petistas. Eles não aguentaram ver Lula ganhando”.
Para Bruno Soller contribuiu para agravar o medo da vitória do petista a campanha protagonizada por artistas em favor do voto útil para Lula. “Ao ver a ameaça de o PT ‘matar’ no primeiro turno, parte do eleitorado resolveu criar uma resposta, que foi reforçar a votação de Bolsonaro”, afirma Soller. É, portanto, a força do antipetismo o que, na opinião do pesquisador, estaria na origem da migração de votos para Bolsonaro tanto da parte dos indecisos quanto de eleitores da terceira via – no último momento e no segredo da urna.
Foto: Divulgação/TSE